IA acelera expansão e Brasil concentra 71% dos data centers em construção na América Latina

O avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem está acelerando a construção de data centers no Brasil e aumentando a pressão por energia, conectividade e infraestrutura capaz de sustentar cargas computacionais cada vez maiores. O país concentra 71% da capacidade de data centers atualmente em construção na América Latina e cerca de 48% da capacidade instalada em operação na região.

A expansão ocorre em meio ao crescimento das aplicações de inteligência artificial, dos serviços em nuvem, do comércio eletrônico, dos bancos digitais, do streaming e de sistemas corporativos que dependem do processamento permanente de grandes volumes de informações. A infraestrutura necessária para treinar e executar modelos de IA também elevou a importância dos data centers de alta capacidade, especialmente aqueles preparados para operar servidores e aceleradores computacionais com elevado consumo de energia.

O mercado latino-americano de data centers encerrou 2025 com 1.105 MW de capacidade instalada. Somente no segmento de colocation, foram entregues 184 MW de nova capacidade durante o ano, enquanto o inventário regional cresceu 20%. Considerando projetos de colocation e hyperscale, 42% da capacidade em construção já estava pré-contratada, indicando que parte relevante da nova infraestrutura chega ao mercado com demanda previamente estabelecida.

Nesse cenário, os data centers passaram a ocupar uma posição crítica na infraestrutura digital. Uma interrupção pode afetar desde plataformas financeiras e serviços de nuvem até sistemas públicos, operações industriais e aplicações de inteligência artificial. Por isso, os projetos dependem de redundância elétrica, sistemas de refrigeração, conectividade por diferentes rotas, automação, segurança física e mecanismos de prevenção e combate a incêndios.

O crescimento da IA adiciona uma camada de complexidade a essa infraestrutura. Servidores destinados ao processamento de modelos avançados podem operar com densidades energéticas muito superiores às de ambientes computacionais tradicionais, aumentando as exigências sobre distribuição elétrica e refrigeração. Isso faz com que a disponibilidade de energia em grande escala se torne um dos principais fatores para a localização e expansão dos novos empreendimentos.

O Brasil tem como vantagem uma matriz elétrica com participação relevante de fontes renováveis, principalmente hidrelétrica, eólica e solar. Essa característica pode favorecer projetos que buscam reduzir a emissão associada ao consumo de energia, mas não elimina um dos principais desafios do setor: garantir fornecimento contínuo, estável e em grande volume para instalações que precisam funcionar 24 horas por dia.

Além da geração de energia, a expansão dos data centers depende da capacidade das redes de transmissão e distribuição, da disponibilidade de terrenos conectados à infraestrutura elétrica, do acesso a redes de fibra óptica e da existência de profissionais especializados. Projetos desse tipo também precisam combinar sistemas elétricos, climatização, telecomunicações, automação e segurança dentro de uma mesma arquitetura.

Segundo Marco Alberto Silva, cofundador e CEO do Grupo Engemon, os diferentes sistemas precisam ser planejados de forma integrada para reduzir riscos de indisponibilidade. Na avaliação do executivo, energia, climatização, conectividade, automação, segurança e prevenção de incêndios não podem ser tratados de forma isolada em instalações que operam continuamente.

Apesar de concentrar quase metade da capacidade instalada da América Latina e a maior parcela dos projetos em construção, o Brasil ainda disputa espaço em uma indústria global marcada por investimentos elevados e pela corrida para ampliar a infraestrutura destinada à inteligência artificial. A disponibilidade de energia, a expansão das redes elétricas e de telecomunicações, a formação de profissionais e a previsibilidade regulatória e tributária deverão influenciar a velocidade desse crescimento nos próximos anos.

A tendência é que a pressão continue aumentando à medida que modelos de inteligência artificial generativa exigem mais capacidade computacional e empresas transferem novas cargas de trabalho para a nuvem. Nesse contexto, a expansão dos data centers deixa de ser apenas uma questão de armazenamento de dados e passa a fazer parte da infraestrutura necessária para sustentar o avanço da inteligência artificial e da economia digital no país.