
O leilão da faixa de 700 MHz concluído nesta segunda-feira (04) pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), terminou com arrecadação de cerca de R$ 22,9 milhões em autorizações para exploração dessa frequência. Além dos valores pagos pelos lotes, as operadoras vencedoras também assumem obrigações de investimentos de R$ 2,5 bilhões previstas em edital, voltadas à ampliação da cobertura móvel em regiões ainda desassistidas do país.
Ao todo, oito empresas participaram da disputa, com lotes arrematados por operadoras nacionais e regionais dentro de um modelo que prioriza a atuação fora dos grandes centros.
Empresas e áreas de atuação
Entre as operadoras que participaram e avançaram no leilão, a divisão segue o perfil de atuação de cada grupo:
- Claro — atuação nacional, com reforço de cobertura em diferentes regiões
- TIM — expansão da rede e melhoria da capacidade em áreas estratégicas
- Telefônica Brasil — ampliação da infraestrutura e da cobertura móvel.
Operadoras regionais:
Brisanet
- Centro-Oeste (Lote A3). Preço mínimo de R$ 1.853.279,19. Lance vencedor de R$ 1.853.280,00
- Nordeste (Lote A2). Preço mínimo de R$ 6.275.099,96. Lance vencedor de R$ 6.275.100,00
Unifique – atuação no Sul do país (Lote A4). Preço mínimo R$ 3.418.493,29. Lance vencedor R$ 3.418.493,29
IEZ! Telecom – área de prestação Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro (Lote A5). Preço mínimo R$ 4.430.492,86. Lance vencedor R$ 4.430.492,86
Amazônia Serviços Digitais — área de prestação Norte e São Paulo (Lote A1). Preço mínimo R$ 7.010.114,86. Lance vencedor R$ 7.010.114,86
Os valores mostram que, na maioria dos casos, os lotes foram arrematados pelo preço mínimo, indicando baixa disputa direta entre concorrentes em determinadas regiões. O modelo do edital dividiu a faixa de 700 MHz em lotes regionais, permitindo que empresas menores competissem em seus mercados, ao mesmo tempo em que manteve a presença das grandes operadoras.
Falha levanta questionamentos
O certame, no entanto, foi marcado por um imprevisto: um problema no manuseio e análise de documentos, que levantou questionamentos sobre o sigilo das propostas e deve ser apurado pela agência. O episódio envolvendo os documentos trouxe preocupação entre participantes, principalmente por envolver um ponto sensível do processo licitatório: o sigilo das propostas. Ainda que não tenha interrompido a sessão, a situação pode gerar desdobramentos, incluindo pedidos de revisão ou questionamentos formais por parte das empresas.
Próximos passos e impacto
Com a etapa de lances concluída, o processo segue para homologação dos resultados e formalização dos contratos. A expectativa é de cerca de R$ 2,5 bilhões em investimentos, entre concessões e compromissos de cobertura.
A faixa de 700 MHz é considerada estratégica por permitir maior alcance de sinal com menor necessidade de infraestrutura, o que deve acelerar a expansão do 4G e dar suporte ao 5G, especialmente em áreas rurais, cidades menores e rodovias ainda sem cobertura adequada.







