
Transformar a ciência, a tecnologia e a inovação em uma política permanente de Estado, ampliar o protagonismo das Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) na formulação das políticas públicas e criar condições para que o conhecimento produzido no país se converta em desenvolvimento econômico, competitividade industrial e soberania tecnológica. Esses serão os principais eixos do segundo mandato de Diego Menezes à frente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI) para o biênio 2026–2028.
A plataforma apresentada pelo presidente reeleito dialoga diretamente com os objetivos da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), recentemente atualizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tanto a estratégia do governo quanto a agenda da ABIPTI defendem o fortalecimento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a aproximação entre pesquisa, empresas e governo, o estímulo à pesquisa aplicada, à transferência de tecnologia e à inovação como instrumentos de desenvolvimento econômico, reindustrialização e soberania nacional. A principal contribuição da ABIPTI é acrescentar a esse debate a necessidade de ampliar a participação das ICTs na construção das políticas públicas, e não apenas em sua execução.
“O Brasil precisa tratar ciência, tecnologia e inovação como uma política permanente de Estado, e não como uma agenda sujeita aos ciclos econômicos ou eleitorais. Nosso compromisso é fortalecer as Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação para que participem não apenas da execução, mas também da formulação das políticas públicas que definirão o futuro do país”, afirma Diego Menezes.
Foi com essa plataforma que Menezes tomou posse para um segundo mandato consecutivo na presidência da ABIPTI, durante a cerimônia de instalação do Conselho Diretor para o biênio 2026–2028, realizada em Brasília. O evento reuniu parlamentares do Congresso Nacional e da Câmara Legislativa do Distrito Federal, representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), dirigentes de universidades, Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), integrantes da advocacia pública e lideranças do ecossistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação.
Representante da Fundação Bahiana para o Desenvolvimento das Ciências (FBDC), Menezes apresentou uma agenda voltada ao fortalecimento institucional das ICTs e à consolidação da pesquisa aplicada como vetor de desenvolvimento nacional. Um dos principais diagnósticos da nova gestão é que o Brasil continua produzindo conhecimento científico em escala internacional, mas encontra dificuldades para transformar esse patrimônio em inovação, competitividade e riqueza. O país ocupa atualmente a 14ª posição mundial em produção científica, mas aparece apenas na 52ª colocação no Índice Global de Inovação, indicador que evidencia a necessidade de aproximar ciência, política industrial, financiamento público e setor produtivo.
Para enfrentar esse cenário, a ABIPTI pretende intensificar o diálogo institucional com o Congresso Nacional, o Governo Federal, os estados, as agências de fomento, as universidades e o setor produtivo, defendendo maior participação das ICTs na definição das prioridades nacionais, na elaboração das políticas públicas e no acompanhamento de seus resultados.
Na avaliação de Menezes, as ICTs acumulam experiência na pesquisa aplicada, certificação, desenvolvimento tecnológico, formação de recursos humanos e apoio à inovação empresarial, razão pela qual devem participar desde a identificação dos desafios nacionais até a construção das soluções. A entidade entende que a experiência dessas instituições precisa ser incorporada de forma permanente aos espaços de governança da política científica brasileira.
Nesse contexto, a ABIPTI manifesta preocupação com a ausência da entidade em colegiados estratégicos, como o Conselho do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e, mais recentemente, no comitê responsável pela Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
“Não queremos ser chamados apenas para implementar políticas já definidas. As ICTs conhecem os desafios da inovação brasileira e precisam estar presentes desde a construção das estratégias nacionais. Defenderemos um FNDCT forte, previsível e executado integralmente, além de um ambiente regulatório que estimule a pesquisa aplicada, a transferência de tecnologia e a competitividade da indústria brasileira”, afirma o presidente.
A agenda do novo mandato também contempla a defesa da execução plena e estável dos recursos do FNDCT, o aperfeiçoamento do marco legal da inovação, especialmente das Leis do Bem e de Informática, a redução da burocracia que dificulta a pesquisa tecnológica e a adoção de instrumentos regulatórios mais modernos, como ambientes de experimentação (sandboxes), preservando a transparência e o controle dos recursos públicos.
Na área econômica, a associação pretende ampliar e diversificar os mecanismos de financiamento das ICTs, fortalecer a transferência de tecnologia, estimular as encomendas tecnológicas e aproximar as competências científicas das demandas da indústria e da sociedade. A proposta também prevê ampliar o quadro de associados, estabelecer novas parcerias com órgãos públicos, empresas, agências de fomento e organismos internacionais e fortalecer a sustentabilidade institucional da entidade.
A nova diretoria mantém a estrutura federativa prevista no estatuto da associação, com representantes das cinco regiões brasileiras.
Na representação da Região Sul, o diretor comercial do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), Carlos Eduardo Ribas, permanece na vice-presidência. O gestor enfatizou o papel da ABIPTI na formulação e no acompanhamento das políticas públicas do setor, defendendo a convergência entre os agentes de inovação e o setor produtivo como vetor de competitividade internacional. “O Brasil é uma potência ainda pouco explorada, com grande potencial econômico e ambiente favorável, e que a inovação deve ser usada para gerar valor, fortalecer a sociedade e ranquear o país de forma mais estratégica”, afirmou.
A vice-presidência da Região Nordeste passou a ser ocupada por Valdeyer Galvão dos Reis, pesquisador do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia), que destacou a necessidade de integração das capacidades instaladas no Nordeste, com ênfase no complexo econômico-industrial da saúde e na autonomia tecnológica regional. “A inovação brasileira só alcançará seu pleno potencial quando forem reduzidas as assimetrias regionais, reconhecendo que cada território possui competências estratégicas para contribuir com um projeto nacional de desenvolvimento”, declarou.
Pela Região Centro-Oeste, tomou posse o conselheiro nacional de educação e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Paulo Fossatti. O conselheiro pautou a integração estrutural entre os níveis de ensino e a produção científica, prevendo a ampliação do modelo de tríplice hélice para incorporar demandas comunitárias e parâmetros de sustentabilidade. “É preciso transformar P&D em PIB, ou seja, converter pesquisa em impacto econômico e social, e ampliar o conceito da tríplice hélice (governo, setor produtivo e universidade) ao incluir comunidade e responsabilidade socioambiental (ESG)”, pontuou.
A vice-presidência da Região Norte foi assumida pelo diretor-presidente da organização social Biotec-Amazônia, José Seixas Lourenço, que defendeu o fortalecimento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) e o adensamento das cadeias produtivas locais por meio de consórcios de cooperação inter-regional. “O Brasil gera muito conhecimento científico, mas ainda carece de mecanismos para convertê-lo em inovação, defendendo colaboração em consórcios inter-regionais (Norte, Nordeste, Centro-Oeste junto ao Sul e Sudeste) para disputar editais e fortalecer sistemas estaduais de ciência e tecnologia”, salientou.
Na Região Sudeste, a vice-presidência permanece sendo exercida pelo gerente de inovação aberta do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), Alex Vallone. O gestor correlacionou o aporte contínuo de recursos em P&D ao avanço socioeconômico do país e à superação de gargalos estruturais na indústria. “Não há recurso natural sem conhecimento, o que coloca a ciência e a inovação como pilares estratégicos para o futuro do país e destaco aqui papel da ABIPTI como protagonista na articulação do ecossistema nacional de ciência, tecnologia e inovação”, pontuou.
Ao encerrar a solenidade, Diego Menezes reafirmou que a nova gestão buscará consolidar a ABIPTI como uma das principais interlocutoras da política nacional de ciência, tecnologia e inovação. “A sustentabilidade será construída pela relevância de sua missão e pela qualidade das entregas das instituições que representamos. Nosso objetivo é fazer com que investir nas ICTs seja reconhecido como investir diretamente na soberania tecnológica, na competitividade da indústria e no desenvolvimento do Brasil.”













