Geração Z ocupará 58% do mercado de trabalho enquanto cresce ceticismo com o uso da IA

A expansão da inteligência artificial no ambiente corporativo ocorre ao mesmo tempo em que a Geração Z se aproxima de se tornar a principal força de trabalho do mundo. Segundo projeções do Fórum Econômico Mundial (WEF), os profissionais nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 deverão representar 58% dos trabalhadores globais nos próximos quatro anos.

Apesar de enxergarem a IA como uma habilidade importante para o futuro profissional, os jovens demonstram uma relação cada vez mais cautelosa com a tecnologia. O estudo Vozes da Geração Z: o paradoxo da IA, realizado pela Walton Family Foundation, GSV Ventures e Gallup, aponta que 48% dos entrevistados consideram os conhecimentos em inteligência artificial essenciais para suas carreiras. Em contrapartida, o levantamento identificou queda no entusiasmo e aumento de sentimentos negativos ligados ao uso dessas ferramentas.

O cenário se opõe com a estratégia adotada por grande parte das empresas. Dados do AI Lighthouse Awards mostram que 94% das organizações colocam a inteligência artificial entre suas principais prioridades corporativas. Já a pesquisa com a Geração Z registrou uma redução na confiança dos jovens em tarefas realizadas com auxílio da IA.

Para Darwin Grein, CEO da Juntxs, esse movimento revela um risco que muitas organizações ainda não perceberam. Segundo ele, a implementação acelerada de sistemas de IA pode ampliar problemas de gestão já existentes quando não é acompanhada por iniciativas voltadas ao fortalecimento das relações humanas e da saúde emocional dos colaboradores.

Em vez de aumentar o engajamento, a tecnologia pode contribuir para o distanciamento dos profissionais em relação ao propósito das organizações, alimentando ciclos de ansiedade e esgotamento. Na avaliação do executivo, o diferencial competitivo dos próximos anos não estará apenas na adoção das ferramentas mais avançadas, mas na capacidade das lideranças de construir vínculos reais, promover ambientes de confiança e investir no desenvolvimento das equipes paralelamente ao avanço tecnológico.

A diferença de percepção evidencia que a transformação digital não depende apenas da adoção de novas tecnologias. À medida que a IA se torna mais presente na rotina profissional, temas como adaptação, capacitação e relacionamento entre diferentes gerações ganham espaço nas discussões sobre o futuro do trabalho.

Com a chegada de milhões de jovens ao mercado nos próximos anos, empresas terão de lidar simultaneamente com o avanço acelerado da inteligência artificial e com mudanças nas expectativas dos trabalhadores em relação ao ambiente corporativo. O desafio será integrar inovação tecnológica sem perder de vista fatores humanos que influenciam o engajamento e a produtividade das equipes.

*Foto: Daiana Lopes.