Serpro lidera execução de investimentos entre estatais de tecnologia

O Serpro foi a estatal federal de tecnologia e telecomunicações que mais avançou na execução de seu orçamento de investimentos no primeiro semestre de 2026. A empresa aplicou R$ 158,99 milhões de uma dotação de R$ 337,59 milhões, alcançando 47,1% de realização até junho. O percentual supera com folga os resultados da Dataprev, da Telebras e dos Correios e também fica acima da média de 28,9% registrada pelo conjunto das 44 estatais federais.

Os dados constam da Portaria SEST/MGI nº 6.093, de 24 de julho, que apresenta a execução do Orçamento de Investimento das empresas federais até o terceiro bimestre de 2026. O documento foi publicado pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Entre as empresas diretamente relacionadas à infraestrutura digital e de comunicações, o Serpro teve o melhor desempenho tanto em termos percentuais quanto em valores efetivamente aplicados. Dataprev, Telebras e Correios registraram execução inferior a 17% no período.

EmpresaDotação atualRealizado até junhoExecução
SerproR$ 337,59 milhõesR$ 158,99 milhões47,1%
DataprevR$ 292,48 milhõesR$ 48,25 milhões16,5%
TelebrasR$ 224,36 milhõesR$ 28,35 milhões12,6%
CorreiosR$ 1,84 bilhãoR$ 40,68 milhões2,2%

Aceleração

O Serpro manteve ritmo elevado também nos dois últimos meses do semestre. Somente no terceiro bimestre, correspondente a maio e junho, foram aplicados R$ 79,76 milhões, praticamente metade de tudo o que a estatal investiu desde o começo do ano.

A empresa recebeu ainda uma suplementação líquida de R$ 7 milhões em abril. O reforço elevou a dotação disponível e indica que o Serpro apresentava capacidade para absorver recursos adicionais durante o exercício.

Embora detivesse apenas 12,5% do orçamento agregado das quatro empresas, o Serpro respondeu por 57,5% de todos os investimentos realizados pelo grupo no primeiro semestre.

A taxa de execução de 47,1% também colocou a empresa 18,2 pontos percentuais acima da média geral das estatais federais. Das 44 companhias com investimentos previstos na Lei Orçamentária, somente sete apresentaram desempenho superior à média de 28,9%.

A Portaria da SEST, entretanto, não discrimina quais projetos receberam os recursos. O documento permite medir a execução financeira, mas não informa se os investimentos do Serpro foram direcionados a centros de dados, infraestrutura de nuvem, equipamentos, segurança cibernética, redes ou desenvolvimento de plataformas digitais.

Dataprev

A Dataprev aparece em segundo lugar entre as estatais de tecnologia e telecomunicações em termos percentuais. A empresa realizou R$ 48,25 milhões de uma dotação de R$ 292,48 milhões, alcançando 16,5%.

Apesar de ter um orçamento próximo ao do Serpro, a Dataprev investiu R$ 110,7 milhões a menos no semestre. Proporcionalmente, a execução do Serpro foi quase três vezes superior.

A diferença também aparece no ritmo recente. Nos meses de maio e junho, a Dataprev aplicou R$ 14,62 milhões. Isso significa que aproximadamente 70% dos investimentos acumulados pela empresa haviam sido realizados até abril, indicando redução relativa da execução no terceiro bimestre.

Ao fim de junho, ainda permaneciam disponíveis cerca de R$ 244,23 milhões do orçamento anual da companhia.

Telebras

A Telebras aplicou R$ 28,35 milhões de uma dotação de R$ 224,36 milhões, com execução de 12,6%. Apesar do percentual baixo, a estatal de telecomunicações acelerou os investimentos no terceiro bimestre.

Entre maio e junho, foram realizados R$ 16,12 milhões, equivalentes a 56,9% de todo o investimento acumulado no primeiro semestre. Nos quatro meses anteriores, a empresa havia aplicado aproximadamente R$ 12,23 milhões.

A Telebras recebeu em abril um reforço orçamentário de R$ 55 milhões. Os recursos tiveram origem em saldos de exercícios anteriores ou valores inscritos em restos a pagar destinados a despesas relacionadas a ações em execução.

O acréscimo corresponde a aproximadamente um quarto da dotação atual da empresa. Até junho, contudo, a Telebras havia realizado pouco mais da metade do valor suplementado e mantinha cerca de R$ 196 milhões disponíveis para o segundo semestre.

A portaria não detalha os projetos beneficiados nem permite identificar quanto foi destinado a satélites, redes de fibra óptica, conectividade governamental ou infraestrutura de segurança.

Tecnologia

A execução consolidada da subfunção Tecnologia da Informação alcançou R$ 3,10 bilhões de uma dotação de R$ 8,11 bilhões, percentual de 38,3%. O valor é superior à média geral das estatais, mas não corresponde apenas aos investimentos do Serpro e da Dataprev.

A classificação inclui gastos tecnológicos de bancos públicos, Petrobras e outras empresas federais. Banco do Brasil e Caixa, por exemplo, mantêm grandes estruturas de processamento de dados, canais digitais, segurança da informação e automação.

Na subfunção Telecomunicações, foram executados R$ 23,14 milhões de uma dotação de R$ 203,56 milhões, ou 11,4%. Em comunicações postais, o percentual foi ainda menor: R$ 32,84 milhões realizados de um orçamento de R$ 804,12 milhões, equivalentes a 4,1%.

Também chama atenção a ausência de execução dos R$ 88,02 milhões classificados na subfunção Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia. Nenhum valor havia sido realizado até junho.

Correios

No cômputo geral, a baixa aplicação dos Correios acabou derrubando o desempenho conjunto das estatais de tecnologia e comunicações. A empresa possuía R$ 1,84 bilhão autorizado, mas investiu somente R$ 40,68 milhões, o equivalente a 2,2% da dotação.

Os Correios concentravam 68,3% de todo o orçamento disponível para as quatro empresas, mas responderam por apenas 14,7% dos investimentos efetivamente realizados. Ao fim do semestre, aproximadamente R$ 1,8 bilhão permanecia sem aplicação.

O impacto fica evidente quando os resultados são comparados. Sem os Correios, Serpro, Dataprev e Telebras teriam investido R$ 235,6 milhões de uma dotação conjunta de R$ 854,4 milhões, com execução de 27,6%, próxima da média de todas as estatais federais.

Com a inclusão dos Correios, as quatro empresas somaram orçamento de quase R$ 2,7 bilhões e realização de apenas R$ 276,3 milhões. O percentual conjunto caiu para 10,3%.

Assim, enquanto o Serpro liderou a execução e apresentou desempenho superior à média do setor estatal, o elevado orçamento praticamente não utilizado pelos Correios puxou para baixo o resultado geral das empresas responsáveis pela infraestrutura digital, pelas telecomunicações e pelos serviços postais do governo federal.