
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), da Suíça, formalizaram uma parceria para ampliar pesquisas sobre novas tecnologias de redes e fortalecer a participação de instituições brasileiras em projetos científicos internacionais. O acordo, com duração inicial de quatro anos, estabelece uma cooperação voltada ao desenvolvimento de soluções para tornar a infraestrutura da internet mais segura, eficiente e resistente a falhas.
Um dos principais objetivos da parceria é ampliar a presença brasileira na SCIERA (SCION Education, Research and Academic Infrastructure), uma infraestrutura internacional utilizada por universidades e centros de pesquisa para estudar novas arquiteturas de internet. A rede permite que pesquisadores realizem experimentos relacionados ao roteamento de dados, à segurança das comunicações e à capacidade das redes de continuar operando diante de problemas técnicos.
A SCIERA utiliza a arquitetura SCION, desenvolvida pela ETH Zurich, que propõe uma abordagem diferente para o encaminhamento de informações pela internet. A tecnologia permite definir caminhos específicos para o tráfego de dados e oferece maior controle sobre a seleção dessas rotas. Na prática, esse modelo abre possibilidades para investigar mecanismos de proteção contra falhas, melhorar a confiabilidade das conexões e estudar alternativas aos sistemas tradicionais de roteamento.
A RNP é a primeira rede acadêmica nacional da América do Sul a integrar o ecossistema SCION e atua como responsável pela conexão do Brasil à SCIERA. Essa integração ocorre em colaboração com a GÉANT, rede acadêmica europeia, e a Internet2, dos Estados Unidos, que participam da infraestrutura internacional utilizada pelos pesquisadores.
No Brasil, grupos de pesquisa de seis universidades e unidades acadêmicas já estão conectados à SCIERA por meio da infraestrutura da RNP. Entre as instituições participantes estão a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além do Ponto de Presença da RNP no Rio de Janeiro (PoP-RJ).
Esses grupos utilizam a infraestrutura para desenvolver experimentos com tecnologias de roteamento, analisar o comportamento do tráfego de dados e avaliar a capacidade das redes de responder a interrupções e falhas. As atividades contam com suporte técnico da equipe de atendimento do Laboratório Nacional Multiusuário da RNP.
A formalização da cooperação também prevê a expansão da SCIERA para as redes Ipê e de e-Ciência, mantidas pela RNP. A iniciativa poderá ampliar o alcance da infraestrutura experimental e facilitar o acesso de novas instituições brasileiras às tecnologias baseadas em SCION.
Além da ampliação da conectividade, o acordo contempla o desenvolvimento conjunto de tecnologias e serviços, o intercâmbio de conhecimento técnico e o apoio à entrada de novos grupos de pesquisa no ecossistema internacional. Também está prevista a elaboração de propostas para programas de financiamento científico, incluindo o Horizon Europe, da União Europeia, e iniciativas da National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos.
A cooperação ocorre em um cenário de crescente demanda por infraestruturas digitais capazes de oferecer maior segurança e continuidade operacional. Com o aumento do volume de informações transmitidas pela internet e a dependência de serviços digitais, tecnologias que permitem controlar rotas de comunicação e reduzir os impactos de falhas ganham importância nas pesquisas sobre o futuro das redes.
Para o Brasil, a integração com a SCIERA representa uma oportunidade de ampliar a participação de universidades e centros de pesquisa no desenvolvimento de tecnologias que poderão influenciar as próximas gerações de infraestrutura de internet. A parceria também fortalece a colaboração científica internacional e cria condições para que pesquisadores brasileiros participem diretamente de experimentos relacionados à evolução das redes digitais.







