
O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia), da Universidade Federal de Goiás (UFG), lançou o Ceia Lumi, um modelo de inteligência artificial desenvolvido especialmente para a língua portuguesa e adaptado às características do mercado brasileiro. A tecnologia foi disponibilizada gratuitamente e em código aberto, permitindo que empresas, pesquisadores e desenvolvedores utilizem sua estrutura para criar aplicações próprias de IA.
Com 4 bilhões de parâmetros, o Lumi foi projetado para equilibrar capacidade de processamento e eficiência operacional. A proposta é oferecer uma alternativa aos modelos desenvolvidos por empresas estrangeiras, reduzindo a dependência de serviços internacionais e permitindo maior controle sobre os dados utilizados pelas organizações.
Por ser um modelo de linguagem de código aberto (open source), o Lumi pode ser adaptado e treinado com informações específicas de cada empresa. Isso permite desenvolver ferramentas voltadas a diferentes atividades e segmentos econômicos, sem necessariamente compartilhar dados internos com fornecedores externos de inteligência artificial.
A personalização pode ser feita por meio de técnicas como o fine-tuning, processo que permite ajustar um modelo já existente para atender a necessidades específicas. Na prática, uma indústria poderá utilizar a tecnologia como base para desenvolver soluções próprias, incorporando informações relacionadas aos seus processos, produtos e operações.
Outro aspecto é a possibilidade de execução em infraestrutura computacional mais acessível. O tamanho do modelo busca reduzir a necessidade de grandes estruturas de processamento, o que pode facilitar sua adoção por empresas que não possuem recursos para manter sistemas de IA de maior porte ou contratar serviços internacionais continuamente.
Segundo Arlindo Galvão, diretor de Inovação Aberta do Ceia e um dos responsáveis pelo desenvolvimento, a iniciativa procura ampliar a autonomia das empresas brasileiras na adoção de inteligência artificial. O objetivo é permitir que organizações nacionais desenvolvam suas próprias aplicações, em vez de depender exclusivamente de tecnologias produzidas no exterior.
O lançamento também está relacionado ao debate sobre soberania tecnológica e controle de dados. A concentração do desenvolvimento de modelos avançados de inteligência artificial em empresas estrangeiras levanta questões sobre custos, acesso à infraestrutura, segurança das informações e capacidade de adaptação às necessidades locais.
O Ceia Lumi já está disponível para pesquisadores, desenvolvedores e empresas na plataforma Hugging Face, onde pode ser acessado e baixado gratuitamente. Os materiais de apoio ao projeto também serão disponibilizados no GitHub.
O desenvolvimento foi realizado pelo Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG, criado em 2019 e credenciado como Unidade Embrapii em 2020. O centro atua em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em parceria com empresas e instituições públicas, aproximando a produção científica das demandas do setor produtivo.
Com o lançamento, o Brasil amplia sua participação no desenvolvimento de modelos próprios de inteligência artificial, em uma área na qual empresas nacionais ainda utilizam predominantemente tecnologias e infraestruturas fornecidas por organizações internacionais.







