IA generativa avança no setor jurídico com integração entre HighQ e CoCounsel

A inteligência artificial generativa está ampliando sua presença no setor jurídico, com novas ferramentas voltadas à automação de tarefas, análise de documentos e gestão de processos. A Thomson Reuters anunciou a integração do CoCounsel, sua tecnologia de IA, ao HighQ, plataforma utilizada por departamentos jurídicos e escritórios de advocacia para colaboração, organização de informações e gerenciamento de atividades.

A integração busca incorporar recursos de IA generativa diretamente aos fluxos de trabalho jurídicos, evitando que profissionais precisem utilizar sistemas separados para determinadas etapas de uma operação. Entre as aplicações previstas estão gestão de contratos, processos de due diligence, acompanhamento de notificações regulatórias e atendimento a clientes.

No gerenciamento de contratos, por exemplo, a inteligência artificial pode ser utilizada para identificar informações relevantes em documentos, localizar cláusulas que precisam de revisão e apontar possíveis impactos provocados por mudanças regulatórias. A proposta é reduzir parte do trabalho manual necessário para analisar grandes volumes de contratos, mantendo os profissionais responsáveis pela avaliação e pelas decisões finais.

Outro uso está relacionado às notificações regulatórias. O sistema pode auxiliar no registro e na classificação das informações recebidas, além de organizar dados, direcionar casos e acompanhar prazos. Em departamentos jurídicos que lidam com diferentes normas e órgãos reguladores, a automação desse processo pode facilitar o controle das demandas e diminuir a dependência de atividades administrativas repetitivas.

A IA generativa também começa a ganhar espaço nos processos de due diligence, principalmente na análise de grandes quantidades de documentos durante operações empresariais. A integração entre HighQ e CoCounsel permite organizar, classificar e analisar arquivos automaticamente, ajudando equipes jurídicas a localizar informações relevantes antes da revisão realizada pelos profissionais responsáveis pelo processo.

No atendimento a clientes, a tecnologia poderá ser aplicada em portais de autosserviço, nos quais usuários conseguem consultar informações e acompanhar determinadas demandas sem depender de uma interação direta com a equipe jurídica para cada solicitação. A estratégia acompanha um movimento mais amplo de digitalização de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos corporativos.

A empresa afirma que o CoCounsel foi desenvolvido para ambientes profissionais sujeitos a exigências de supervisão e controle. No setor jurídico, questões como rastreabilidade das informações, proteção de dados, confiabilidade das respostas e revisão humana permanecem entre os principais pontos de atenção para a adoção de inteligência artificial em atividades profissionais.

A chegada dessas ferramentas ocorre em um momento em que escritórios e departamentos jurídicos enfrentam aumento do volume de informações, mudanças regulatórias frequentes e pressão por respostas mais rápidas. Nesse cenário, a IA generativa começa a deixar de ser utilizada apenas para consultas ou produção pontual de textos e passa a integrar etapas completas da rotina jurídica.

A tendência também modifica a discussão sobre tecnologia no Direito. Além da capacidade de automatizar tarefas, empresas e profissionais precisam avaliar como sistemas de inteligência artificial serão incorporados aos processos internos, quais atividades continuarão dependendo de análise humana e quais mecanismos serão utilizados para garantir segurança, controle e rastreabilidade.

Com a integração entre HighQ e CoCounsel na América Latina. A expectativa é que aplicações envolvendo análise de documentos, gestão de contratos, due diligence e acompanhamento regulatório estejam entre as áreas em que a IA generativa deverá avançar mais rapidamente nos próximos anos.