
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, defendeu nesta quarta-feira (30), no Rio de Janeiro, a ampliação do uso de comunicações por satélite como parte da infraestrutura necessária para expandir a conectividade no país. Durante a abertura do 25º Congresso Latino-Americano de Satélites, ele também associou o desenvolvimento dessa infraestrutura à segurança das comunicações estratégicas e à soberania digital.
O evento reúne representantes do governo, Forças Armadas, Telebras, operadoras e fabricantes do setor, entre eles SES e Telesat, além de especialistas em telecomunicações, defesa e tecnologia espacial.
Segundo Siqueira Filho, as dimensões territoriais brasileiras exigem uma infraestrutura formada por diferentes tecnologias. Satélites, redes de fibra óptica e sistemas móveis deverão atuar de maneira complementar, especialmente para atender regiões onde a expansão das redes terrestres enfrenta limitações econômicas ou geográficas.
“Em um país de dimensões continentais como o nosso, nenhuma tecnologia, isoladamente, será capaz de responder a todos os desafios de conectividade. É justamente a combinação dessas diferentes infraestruturas que nos permitirá avançar na direção de uma conectividade cada vez mais ampla, resiliente e inclusiva”, afirmou.
O ministro apresentou números das políticas federais de conectividade. De acordo com os dados divulgados pelo Ministério das Comunicações, as infovias implantadas pelo programa Norte Conectado já alcançam aproximadamente 3 milhões de pessoas na Região Norte. Mais de 109 mil escolas de educação básica dispõem de internet em banda larga e Wi-Fi.
O serviço móvel está presente nos 5.570 municípios e alcança 94,67% da população, segundo o ministério. A cobertura 5G chegou a 2 mil cidades, enquanto o 4G foi expandido para cerca de 2,6 mil localidades rurais.
O Novo PAC prevê mais de R$ 23 bilhões para iniciativas relacionadas à conectividade significativa e à inclusão digital. O governo sustenta que a ampliação da infraestrutura deve ser acompanhada por condições de acesso aos serviços digitais, incluindo qualidade, segurança e preços acessíveis.
Mercado satelital
A transformação do mercado de satélites ocupou parte relevante da apresentação. Siqueira Filho citou a expansão das constelações que operam em diferentes órbitas, incluindo sistemas GEO, MEO e LEO, e afirmou que a regulação brasileira terá de acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas e dos novos modelos de negócios.
“Temos o compromisso de garantir um ambiente econômico e regulatório que proporcione cada vez mais competitividade e concorrência, para que o grande beneficiado seja o usuário final, que é a população brasileira”, declarou.
Outra área destacada foi a utilização de redes satelitais associadas à Internet das Coisas. A combinação permite conectar sensores, equipamentos e instalações em regiões sem cobertura terrestre e tem aplicações em setores como agricultura, logística, mineração, petróleo e gás.
Soberania digital
A infraestrutura espacial também foi relacionada pelo ministro à segurança e à soberania digital. A expansão de constelações globais e a crescente dependência de sistemas privados de comunicação colocaram os satélites no centro das discussões sobre proteção de infraestruturas críticas e capacidade nacional de operação de serviços estratégicos.
Nesse contexto, Siqueira Filho destacou o projeto da segunda geração do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, o SGDC-2, previsto no Sistema de Satélites de Defesa e Comunicações (SSDC).
“A soberania digital não significa nos fecharmos em nós mesmos. Isso sequer seria viável diante da interdependência das cadeias globais de suprimentos e dos ecossistemas tecnológicos modernos. O Brasil continuará aberto à inovação, aos investimentos e à cooperação internacional. Mas é preciso garantir que sistemas críticos, especialmente aqueles relacionados à Defesa e às comunicações estratégicas, estejam sob um regime de proteção especial”, afirmou.
A declaração coloca o SGDC-2 dentro de uma estratégia que busca conciliar contratação e cooperação internacional com maior controle nacional sobre infraestruturas consideradas sensíveis. A Telebras, que participa do SSDC, deverá manter papel relevante nessa estrutura.
Para o ministro, o desenvolvimento do setor dependerá da combinação entre investimentos públicos e privados, inovação tecnológica, cooperação internacional e fortalecimento da capacidade nacional.
“O futuro da conectividade será construído pela combinação de diferentes tecnologias, modelos de negócios e capacidades. E o nosso desafio é fazer com que toda essa inovação se traduza em mais oportunidades para os brasileiros, independentemente de onde eles vivam”, concluiu.
O 25º Congresso Latino-Americano de Satélites ocorre no Rio de Janeiro e reúne governo, Forças Armadas e empresas brasileiras e estrangeiras para discutir comunicações por satélite, novas constelações, modelos de negócios, conectividade e os aspectos estratégicos da infraestrutura espacial.
*Fonte: Ministério das Comunicações. Foto: Helio Montferre/MCom







