Deepfakes desafiam sistemas tradicionais de autenticação e ampliam riscos de fraudes digitais

O avanço da inteligência artificial está tornando mais difícil distinguir pessoas reais de falsificações digitais. Tecnologias capazes de reproduzir rostos, vozes e vídeos com alto grau de realismo já representam um desafio para empresas que utilizam biometria e outros métodos tradicionais para validar identidades.

Durante anos, características como reconhecimento facial, voz e número de telefone foram utilizadas como evidências de identidade. Com a popularização dos deepfakes, porém, esses sinais podem ser reproduzidos ou manipulados por criminosos, reduzindo a confiabilidade de métodos que antes eram considerados seguros.

A falsificação de números telefônicos, por exemplo, permite que uma chamada apareça na tela da vítima como se tivesse sido realizada por uma pessoa ou instituição conhecida. Com ferramentas de inteligência artificial, o golpe pode ir além, utilizando imagens, vídeos e gravações de voz sintéticas para imitar pessoas reais.

Fotos e áudios publicados em redes sociais também podem servir de matéria-prima para essas fraudes. Quanto maior a quantidade de informações pessoais disponíveis na internet, mais recursos os criminosos podem ter para construir representações digitais convincentes.

O problema não se limita à falsificação de características humanas. A expansão de aplicações, APIs, sistemas automatizados e agentes de inteligência artificial também aumentou o número de identidades digitais que precisam ser protegidas dentro das empresas.

Estimativas do setor apontam que existem 45 identidades de máquinas para cada identidade humana. Além disso, 60% dos profissionais consideram as identidades não humanas um risco maior do que as identidades de pessoas.

Esse cenário exige mudanças nos processos de autenticação. A biometria continua sendo uma ferramenta importante, mas não deve ser utilizada como único critério de validação. A recomendação é combinar diferentes informações, como dispositivo utilizado, localização, comportamento, permissões e características da operação.

No comércio eletrônico, por exemplo, a validação inicial do usuário não garante que todas as atividades posteriores sejam legítimas. Contas podem ser invadidas, credenciais utilizadas de forma automatizada e identidades falsas criadas para realizar transações fraudulentas.

Nas empresas, o desafio também envolve controlar o acesso de máquinas e aplicações. Cada sistema automatizado pode possuir credenciais próprias e permissões para acessar diferentes serviços. Sem acompanhamento adequado, essas credenciais podem continuar ativas mesmo quando deixam de ser necessárias.

A chegada dos agentes de inteligência artificial amplia essa preocupação. Diferentemente de sistemas que apenas executam tarefas programadas, esses agentes podem interpretar informações e realizar ações em diferentes plataformas para atingir determinados objetivos.

Com isso, a segurança digital precisa considerar não apenas quem está acessando um sistema, mas também qual identidade está realizando a ação, em nome de quem, com quais permissões e para qual finalidade.

O desafio passa a ser garantir que tanto pessoas quanto máquinas tenham identidades verificáveis, acessos controlados e atividades monitoradas. Nesse novo cenário, autenticar uma identidade é apenas uma parte da proteção: também é necessário acompanhar o que ela pode fazer e como utiliza seus privilégios.