
A Coreia do Sul pretende ampliar em 2027 os investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias da informação e comunicação, concentrando recursos em inteligência artificial, semicondutores, data centers, computação quântica, redes avançadas e cibersegurança. A proposta apresentada pelo Ministério da Ciência e TIC prevê quase 3 trilhões de won, aproximadamente US$ 2,2 bilhões, para P&D no setor, aumento de 23,6% em relação a 2026.
Os detalhes foram apresentados nesta terça-feira, 15 de setembro, durante um workshop que marcou o início do planejamento dos novos projetos de pesquisa para 2027. Participaram representantes de institutos de pesquisa, universidades e empresas. As informações foram divulgadas pela agência sul-coreana Yonhap e pelo portal oficial de políticas públicas do governo da Coreia do Sul.
Uma das principais características da proposta é a tentativa de tratar diferentes componentes da infraestrutura de inteligência artificial dentro de uma mesma política de pesquisa. O governo reservou 662,1 bilhões de won para três áreas consideradas prioritárias: IA física, semicondutores de IA e data centers.
Desse total, 384,9 bilhões de won estão previstos para o desenvolvimento de tecnologias chamadas de “full stack” em IA física. A estratégia envolve desde modelos fundacionais de inteligência artificial até componentes de hardware, incluindo aceleradores usados no processamento dessas aplicações. A ideia é aproximar o desenvolvimento de software, chips e capacidade computacional, reduzindo a dependência de tecnologias desenvolvidas fora do país.
A chamada IA física envolve sistemas capazes de utilizar inteligência artificial para interagir com o mundo físico, incluindo aplicações em robótica, equipamentos industriais, veículos autônomos e outros dispositivos. O orçamento indica que Seul pretende tratar essa área não apenas como desenvolvimento de modelos de IA, mas também como uma questão de infraestrutura computacional e semicondutores.
Outro bloco relevante da proposta envolve a chamada IA soberana. O Ministério da Ciência e TIC prevê 431,1 bilhões de won para tecnologias voltadas ao desenvolvimento de capacidade própria de inteligência artificial. Dentro desse orçamento, 169,1 bilhões de won seriam destinados especificamente a pesquisas relacionadas à cibersegurança.
A discussão sobre IA soberana ganhou espaço em diferentes países diante da concentração de modelos, infraestrutura de nuvem, chips e capacidade de processamento em um número relativamente pequeno de empresas e mercados. No caso sul-coreano, o orçamento mostra uma tentativa de construir capacidade tecnológica doméstica em várias etapas da cadeia, dos modelos à infraestrutura necessária para executá-los.
Tecnologias consideradas de próxima geração também aparecem no planejamento. A proposta reserva 338,9 bilhões de won para áreas como computação quântica e redes avançadas. O governo utiliza a expressão “AI expressway” para descrever uma infraestrutura de telecomunicações capaz de conectar recursos computacionais dedicados à inteligência artificial aos usuários e serviços que dependem dessa capacidade.
A formação de profissionais terá outros 354,4 bilhões de won, com recursos voltados à capacitação de especialistas e à ampliação de centros locais de pesquisa em colaboração com pesquisadores internacionais. O planejamento também inclui trabalhos relacionados à definição de padrões tecnológicos para inteligência artificial.
Os quase 3 trilhões de won fazem parte da proposta de orçamento de P&D em TIC para 2027 e, portanto, os valores ainda dependem do processo orçamentário sul-coreano. O governo, no entanto, já iniciou o planejamento técnico dos projetos que poderão receber os recursos. Em um plano mais amplo, a proposta de orçamento nacional de pesquisa e desenvolvimento da Coreia do Sul para 2027 chega a 39,5 trilhões de won.
A distribuição dos recursos mostra que a política sul-coreana para inteligência artificial está sendo estruturada para além do desenvolvimento de modelos. Chips, data centers, redes, segurança digital, computação quântica e formação de profissionais aparecem no mesmo planejamento, numa tentativa de construir uma cadeia tecnológica capaz de sustentar a expansão da IA dentro do país.







