Vibe coding cresce 124% no Brasil e aponta nova fase da programação com inteligência artificial

O vibe coding vem ganhando espaço entre desenvolvedores e pessoas interessadas em criar sites, aplicativos e sistemas com apoio da inteligência artificial. A proposta é transformar instruções escritas em linguagem natural em código, reduzindo parte das barreiras técnicas do desenvolvimento de software.

O interesse pela tecnologia já aparece nas buscas dos brasileiros. Levantamento com pesquisas realizadas no Google entre julho de 2025 e julho de 2026 mostra que as consultas relacionadas ao termo “vibe coding” cresceram 124% em 12 meses, ultrapassando 360 mil buscas no Brasil.

O movimento acompanha a expansão do uso de inteligência artificial na programação. Na edição de 2025 da Stack Overflow Developer Survey, 84% dos desenvolvedores entrevistados afirmaram utilizar ou pretender adotar ferramentas de IA no trabalho, ante 76% na edição anterior.

As buscas pela expressão “o que é vibe coding?” cresceram 313% no mesmo período. O conceito ganhou projeção em 2025 após ser utilizado pelo pesquisador e programador Andrej Karpathy para descrever uma forma de desenvolvimento baseada na interação com modelos de inteligência artificial.

Na prática, o usuário explica por meio de prompts qual aplicação deseja criar ou qual problema precisa resolver. A IA gera o código, que pode ser testado, corrigido e aprimorado em novos ciclos de interação. Diferentemente dos primeiros assistentes de programação, que atuavam principalmente sugerindo ou completando trechos de código, as novas ferramentas conseguem participar de etapas mais amplas do desenvolvimento.

Apesar da automação, a revisão humana continua necessária. Códigos gerados por inteligência artificial podem apresentar falhas de segurança, problemas de lógica ou dependências inadequadas, especialmente em sistemas mais complexos ou que lidam com informações sensíveis.

O crescimento do vibe coding no Brasil também aparece na procura por ferramentas associadas à programação com IA. O Claude registrou aumento de 1.567% nas buscas em 12 meses e ultrapassou 13,8 milhões de pesquisas. Outras plataformas também apresentaram volumes elevados, como Lovable, com 4,4 milhões de buscas, Google AI Studio, com 3,9 milhões, Base44, com 1,93 milhão, n8n, com 1,92 milhão, Supabase, com 1,3 milhão, Cursor, com 1,1 milhão, e Google Antigravity, com 826 mil.

Essas ferramentas cumprem funções diferentes, incluindo geração de aplicações, programação assistida, automação de processos, bancos de dados e integração entre sistemas. O avanço simultâneo de várias plataformas mostra que a tendência vai além de uma única solução e envolve um ecossistema crescente de ferramentas de IA para programação.

A procura por capacitação também aumentou. As buscas por “cursos de vibe coding” cresceram 256% em 12 meses, indicando interesse em utilizar essas tecnologias de forma mais estruturada. Entre as principais habilidades está a criação de prompts detalhados, com informações sobre linguagem, formato dos dados, comportamento esperado e critérios de validação.

O avanço do vibe coding também ajuda a redesenhar o papel dos desenvolvedores. Tarefas repetitivas podem ser cada vez mais automatizadas, enquanto conhecimentos relacionados à arquitetura de sistemas, segurança, integração, testes e validação tendem a ganhar importância.

Ao mesmo tempo, pessoas sem formação tradicional em programação conseguem criar protótipos e aplicações com mais facilidade. Isso pode acelerar projetos de pequenos negócios e equipes de produto, embora sistemas mais complexos continuem exigindo conhecimento técnico especializado.

O crescimento das buscas indica que o vibe coding está deixando de ser apenas uma tendência para se tornar parte de uma mudança mais ampla no desenvolvimento de software. Programar passa a envolver não apenas escrever código, mas também saber orientar a inteligência artificial, testar resultados e avaliar a qualidade das soluções produzidas.

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