
A Polícia Federal iniciou uma investigação contra um grupo suspeito de fraudar o Plano de Assistência à Saúde do Serpro (PAS/Serpro), utilizando procedimentos médicos supostamente irregulares para obter pagamentos indevidos. A operação, divulgada nesta quinta-feira (6), teve início após uma denúncia apresentada pela própria diretoria da estatal ao Ministério Público Federal. Segundo o Serpro, uma apuração interna identificou indícios de fraude na utilização do plano de saúde, levando a empresa a encaminhar uma notícia-crime às autoridades e dando origem às investigações que culminaram na ação da Polícia Federal.
O caso ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pela GloboNews mostrar que a PF apura a atuação de um grupo suspeito de utilizar o plano de saúde da empresa para fraudar procedimentos médicos e atendimentos de alto custo, supostamente num total de R$ 8 milhões. Em nota oficial divulgada após a reportagem, o Serpro esclareceu que não é alvo da investigação, mas figura como vítima do esquema e foi o responsável por comunicar os fatos às autoridades.
Segundo a estatal, a investigação interna começou após uma denúncia recebida pelos canais de atendimento do PAS/Serpro. A auditoria identificou procedimentos que não eram reconhecidos pelos próprios beneficiários, assinaturas divergentes das cadastradas pelos usuários, repetição de atendimentos em curto espaço de tempo, solicitações incompatíveis com o histórico clínico e utilização recorrente de diagnósticos genéricos para justificar diferentes procedimentos.
Com base nas evidências reunidas, a diretoria do Serpro decidiu encaminhar uma notícia-crime ao Ministério Público Federal e, paralelamente, suspendeu preventivamente novos atendimentos e pagamentos relacionados à entidade investigada, buscando evitar a ampliação dos prejuízos enquanto o caso era analisado pelas autoridades.
A nota oficial informa que o Serpro vem colaborando com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, fornecendo documentos e informações que possam contribuir para a identificação dos responsáveis, a quantificação dos prejuízos e o eventual ressarcimento dos recursos desviados.
O Serpro também informou que a descoberta das irregularidades ocorreu durante um processo de reestruturação da gestão do PAS/Serpro, iniciado em dezembro de 2025. Nesse período, segundo a empresa, foram implantados novos mecanismos de controle, incluindo ferramentas de inteligência artificial para apoiar a contra-auditoria financeira, revisão dos processos de fiscalização e substituição da empresa responsável pela regulação do plano.
De acordo com a estatal, as medidas também produziram reflexos na gestão do plano de saúde, com a redução da sinistralidade assistencial de 117% para 88% e a criação de quatro novas modalidades de cobertura, reduzindo o valor das mensalidades pagas pelos beneficiários.
A investigação da Polícia Federal prossegue para identificar todos os envolvidos no esquema, esclarecer a extensão das fraudes, dimensionar os prejuízos causados ao plano de saúde do Serpro e responsabilizar os autores das irregularidades.







