
O Programa Norte Conectado entra em uma nova fase com a entrega de novas infovias na Amazônia e com um desafio ainda em aberto: definir os grupos privados que vão operar parte dessa infraestrutura pelo modelo de Consórcio Operador Neutro. A rede, construída com recursos públicos e composta por cabos de fibra óptica lançados no leito dos rios, será repassada à iniciativa privada para operação e manutenção, enquanto parte da capacidade permanecerá reservada ao poder público.
Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a preocupação do governo não é apenas implantar a infraestrutura, mas garantir que ela seja sustentável depois de entregue. O ministro afirmou que uma das prioridades da pasta foi encontrar um modelo que permitisse à rede funcionar desde o primeiro dia sem se transformar em um custo permanente para o Estado. Nesse desenho, os consórcios privados assumem a operação das infovias, exploram comercialmente parte da capacidade e mantêm outra parcela disponível para uso público.
O secretário de Telecomunicações, Hermano Tercius, explicou que o modelo de Consórcio Operador Neutro foi adotado justamente para assegurar a manutenção da rede no longo prazo. Segundo ele, a iniciativa privada assume os custos de operação e manutenção das infovias em troca do direito de utilizar metade da infraestrutura. A outra metade fica reservada ao governo, que passa a utilizar essa capacidade sem novos custos de manutenção.
A definição desses operadores é um ponto central para a consolidação do Norte Conectado. A apresentação do Ministério das Comunicações mostra que algumas infovias já têm consórcios formados, como a Infovia 00, liderada pela Você Telecom, e as Infovias 01, 02, 04 e 07, associadas à Ozônio Telecom. Mas ainda há etapas em aberto em outras rotas, especialmente nas infovias em estudo ou em implantação, o que torna a escolha dos grupos operadores uma das próximas decisões estratégicas do programa.
O modelo é relevante porque o Norte Conectado não se limita a instalar fibra óptica na Amazônia. Ele cria uma infraestrutura pública de alta capacidade, mas depende de operadores privados para chegar ao usuário final, ampliar a oferta comercial de internet, assumir a manutenção e evitar que a União fique responsável sozinha por milhares de quilômetros de cabos subfluviais.
Enquanto a maior parte do debate sobre infraestrutura digital no Brasil continua concentrada na expansão do 5G e na construção de data centers para inteligência artificial, outra rede cresce silenciosamente pelos rios da Amazônia e começa a se consolidar como uma das maiores obras de telecomunicações já executadas pelo Estado brasileiro.

Os números apresentados durante o evento mostram a dimensão alcançada pelo programa. Atualmente, o Norte Conectado reúne nove infovias, soma 13,2 mil quilômetros de fibra óptica, atende 70 localidades distribuídas entre Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima e contabiliza mais de 900 pontos públicos de acesso, beneficiando diretamente cerca de 7,5 milhões de pessoas. Segundo o Ministério das Comunicações, trata-se do maior projeto de conectividade subfluvial do mundo.
Cada cabo lançado nos rios amazônicos possui 24 pares de fibras ópticas, com capacidade de transmissão de 4 terabits por segundo por fibra, alcançando capacidade agregada de 96 Tbps. A infraestrutura foi concebida para substituir a dependência de enlaces por rádio ou satélite, oferecendo uma rede terrestre de alta capacidade capaz de suportar tanto a expansão da banda larga quanto a prestação de serviços públicos digitais.
Ao apresentar o balanço do programa, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que a expansão das infovias integra uma política mais ampla voltada ao fortalecimento da infraestrutura digital brasileira. Segundo ele, o objetivo do governo não se limita à instalação de cabos ou equipamentos de telecomunicações. “Quando a gente leva um projeto para o presidente Lula, a primeira pergunta que ele faz é o que a população vai ganhar com isso ou o que isso vai gerar de desenvolvimento econômico para o nosso país. É dentro dessa lógica que estamos fazendo essas entregas.”
Na avaliação do ministro, o Norte Conectado faz parte de uma estratégia nacional que reúne a expansão do 5G, da cobertura 4G em áreas rurais, dos programas Escolas Conectadas, Computadores para Inclusão, Brasil Antenado, TV 3.0, futuros data centers para inteligência artificial, satélites de baixa órbita e o satélite geoestacionário brasileiro. “Além de um Brasil conectado, precisamos construir um Brasil mais digital.”
Uma década de construção
Embora tenha ganhado impulso após o leilão do 5G, o Norte Conectado é resultado de uma política iniciada anos antes. A apresentação do programa no evento realizado hoje no Ministério das Comunicações, relembra que a primeira iniciativa surgiu em 2015, com o Programa Amazônia Conectada, desenvolvido pelo Exército Brasileiro e responsável pela implantação das três primeiras infovias.
Em 2017 foi inaugurada a Infovia 00, ligando Macapá a Santarém, fruto de parceria entre o Ministério das Comunicações e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa. Mas o projeto travou após o TCU analisar e constatar que havia dificuldades na governança do mesmo, além do fato de nenhum órgão querer assumir a manutenção técnica da rede.
Em 2021 o governo estruturou o Programa Amazônia Integrada e Sustentável (PAIS), ampliando o projeto para sete novas infovias e consolidando o modelo atualmente executado pela Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz, criada no âmbito das obrigações do leilão do 5G. Modelo pelo qual o governo fica com uma parte significativa da rede para operar os seus serviços, enquanto a iniciativa privada assume o custo da manutenção técnica em troca de poder explorar comercialmente parte das fibras da mesma rede.
O programa possui quatro objetivos centrais:
1 – levar internet de alta velocidade para localidades ainda sem infraestrutura;
2 – reduzir interrupções por meio da criação de rotas redundantes;
3 – ampliar a capacidade das redes fixa e móvel;
4 – estimular planos de banda larga com velocidades maiores e preços menores.
Interesse internacional
Um dos anúncios mais relevantes feitos durante o evento não estava relacionado às obras em andamento, mas ao interesse despertado pelo modelo brasileiro no exterior. Segundo anunciou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, os governos da Colômbia e do Peru já iniciaram conversas com o Brasil para estudar a integração das futuras redes de fibra óptica em áreas de fronteira. “A Colômbia e o Peru já estão nos procurando para que a gente possa fazer essa integração na região amazônica, nos pontos de fronteira, viabilizando mais integração e mais redundância, inclusive com saída pela região do Pacífico.”
Caso avance, a iniciativa poderá transformar o Norte Conectado em uma infraestrutura regional, criando novas rotas internacionais de transporte de dados e reduzindo a dependência das conexões tradicionais que hoje seguem majoritariamente em direção ao litoral atlântico.
O ministro das Comunicações também procurou associar o programa à agenda ambiental. Segundo ele, a utilização dos rios amazônicos como corredores naturais para instalação dos cabos reduz impactos ambientais quando comparada à abertura de novas faixas terrestres. “Levar infraestrutura digital por meio das infovias é uma decisão que respeita a floresta. Além de ser mais fácil, mais rápido e mais barato, preserva o meio ambiente e evita derrubada de árvores na região amazônica.”
Essa característica é considerada uma das razões pelas quais o projeto vem despertando interesse internacional. O impacto ambiental para fazer chagar os cabos de fibras nas principais localidades da Amazônia
Infovia 00
O projeto piloto
A Infovia 00 foi a primeira experiência do modelo atualmente adotado pelo Programa Norte Conectado. Ligando Macapá (AP) a Santarém (PA), entrou em operação comercial em 2022 e serviu como laboratório para validar tanto a engenharia dos cabos subfluviais quanto o modelo de operação por meio de um Consórcio Operador Neutro.
A infraestrutura possui 769,4 quilômetros de fibra óptica subfluvial, atende cinco localidades, beneficia aproximadamente 938 mil habitantes e conecta 72 órgãos públicos. A apresentação revela ainda que, mesmo após a entrada em operação, a governança do projeto continua sendo ajustada. Em janeiro deste ano houve substituição da empresa líder do consórcio responsável pela exploração comercial da capacidade instalada.
Infovia 01
Consolidação do corredor amazônico
A segunda etapa do programa ampliou significativamente a infraestrutura construída na Amazônia. Ligando Santarém (PA) a Manaus (AM), a Infovia 01 entrou em operação comercial em fevereiro de 2024 e consolidou o primeiro grande corredor de fibra óptica entre dois dos principais polos logísticos da região. São 1.053,62 quilômetros de fibra óptica lançados no leito dos rios amazônicos. Segundo os dados apresentados, a rede atende 11 localidades, beneficia aproximadamente 2,9 milhões de habitantes e conecta 177 órgãos públicos. A operação comercial é realizada por um Consórcio Operador Neutro liderado pela Ozônio Telecom, modelo que permite que diferentes empresas utilizem a infraestrutura para oferecer serviços sem necessidade de construir novas redes paralelas.
Infovia 03
Expansão para o Marajó
Uma das principais entregas anunciadas durante o evento foi o início da operação comercial definitiva da Infovia 03. A rede liga Belém (PA) a Macapá (AP) por meio de 779,6 quilômetros de fibra óptica subfluvial. Segundo a apresentação, a infraestrutura atende seis localidades, beneficia aproximadamente 1,9 milhão de habitantes e conecta 70 órgãos públicos.
O Ministério das Comunicações destaca que a nova infovia deverá produzir efeitos diretos sobre o mercado regional de telecomunicações, com aumento da velocidade dos planos de internet e redução do custo do megabit por segundo em razão da ampliação da oferta de capacidade. Outro dado importante é que a fibra óptica chega pela primeira vez a quatro localidades que antes não contavam com esse tipo de infraestrutura.
Ao comentar essa entrega, Frederico de Siqueira Filho citou especificamente a região do Marajó como exemplo do impacto social do programa. “A gente consegue impactar a vida das pessoas quando aumenta a conectividade, quando conecta uma escola, quando instala uma antena de telefonia móvel, quando liga uma infovia e quando capacita jovens para inserção no mercado de trabalho.”
Infovia 04 -A solução para os apagões de internet em Roraima
Entre todas as infovias em implantação, nenhuma recebeu tanto destaque durante a apresentação quanto a Infovia 04. O motivo é simples: ela deverá criar uma nova rota de conectividade para Roraima, estado que historicamente enfrenta sucessivas interrupções de acesso à internet por depender de uma infraestrutura limitada e com pouca redundância. O trecho liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR) e deverá iniciar sua operação comercial definitiva em 2 de julho.
A infraestrutura possui 1.181,7 quilômetros de fibra óptica, dos quais 920,7 quilômetros percorrem rios amazônicos e 261 quilômetros utilizam trechos terrestres. A rede atenderá seis localidades, beneficiará aproximadamente 2,5 milhões de habitantes e conectará 65 órgãos públicos. A operação comercial ficará sob responsabilidade de um Consórcio Operador Neutro liderado pela Ozônio Telecom.
O principal indicador apresentado pelo Ministério das Comunicações diz respeito à estabilidade da conectividade em Roraima. Segundo os dados exibidos, Boa Vista registrou 17 apagões de internet em 2024 e outros quatro em 2025. A expectativa é que a nova infovia reduza significativamente esse risco ao criar uma infraestrutura redundante para o estado. Além da maior confiabilidade, o governo estima um aumento inicial de 27 vezes na velocidade disponível para a região.
Durante o evento, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira, afirmou que a entrega da nova infraestrutura representa uma mudança estrutural para o estado. “Semana que vem estaremos em Boa Vista. Entendemos que vamos tirar o estado de possíveis apagões porque haverá mais disponibilidade de infraestrutura digital e de rede naquela região.”
Mais do que ampliar a velocidade da internet, a Infovia 04 pretende resolver um dos maiores gargalos da infraestrutura digital amazônica: a baixa redundância das redes de transporte de dados.
Infovia 02
A maior entrega social do programa
Se a Infovia 04 se destaca pela importância estratégica para Roraima, a Infovia 02 concentra o maior impacto social previsto pelo Programa Norte Conectado. Ela deverá entrar em operação antecipada em julho de 2026, ligando Manaus a Atalaia do Norte, no Amazonas.
Será a maior entrega do programa em número de localidades atendidas. Ao todo serão 20 localidades, 257 órgãos públicos e aproximadamente 2,7 milhões de habitantes beneficiados. A infraestrutura terá 2.050,8 quilômetros de extensão, sendo 1.796,2 quilômetros de fibra óptica subfluvial e outros 254,6 quilômetros em trechos terrestres. Também será operada por consórcio liderado pela Ozônio Telecom.
Mas o dado que mais chama atenção é outro. Segundo a apresentação, 14 dessas localidades atualmente não possuem qualquer rede de fibra óptica. Na prática, significa que milhares de moradores terão acesso pela primeira vez a uma infraestrutura terrestre de alta capacidade, reduzindo a dependência de conexões via rádio ou satélite.
Para escolas, hospitais, unidades da administração pública e provedores regionais, a chegada da fibra representa uma mudança estrutural na oferta de conectividade. A expectativa do governo é que a nova infraestrutura também estimule investimentos privados na expansão das redes locais de acesso à internet.
Infovia 05
Nova frente de expansão
Enquanto algumas infovias entram em operação comercial, outras ainda avançam na fase de implantação física. É o caso da Infovia 05. O lançamento dos cabos subfluviais está previsto para começar em 6 de julho. A nova rota ligará Autazes (AM) a Porto Velho (RO). Serão 1.326 quilômetros de fibra óptica, distribuídos entre 1.116 quilômetros subfluviais e 210 quilômetros terrestres.
A infraestrutura atenderá nove localidades, beneficiará cerca de 697,3 mil habitantes e conectará 107 órgãos públicos. Segundo o Ministério das Comunicações, a obra permitirá a chegada da fibra óptica a duas localidades que ainda não dispõem desse tipo de infraestrutura.
Com isso, a Infovia 05 amplia gradativamente a malha pública de transporte de dados construída na Amazônia.
Infovia 07
Infraestrutura construída pelo Exército ganha nova função
Entre todas as infovias apresentadas pelo Ministério das Comunicações, a Infovia 07 possui uma característica singular. Diferentemente das demais, ela não depende da construção integral de uma nova infraestrutura. O trecho já foi implantado anteriormente pelo Exército Brasileiro no âmbito do antigo Programa Amazônia Conectada e agora será incorporado ao Programa Norte Conectado, passando por um processo de revitalização antes de entrar definitivamente em operação comercial.
A rede liga Vila de Moura a São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, possui 795 quilômetros de fibra óptica subfluvial, atende quatro localidades, beneficiará aproximadamente 84,7 mil habitantes e conectará 25 órgãos públicos. A operação ficará sob responsabilidade de um Consórcio Operador Neutro liderado pela Ozônio Telecom.
Segundo o cronograma apresentado, as obras de revitalização entre São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro começam em julho de 2026. Depois dessa etapa, a infraestrutura será formalmente transferida ao operador neutro, que assumirá a operação comercial da rede.
O reaproveitamento da estrutura construída pelo Exército reduz investimentos adicionais e demonstra uma mudança importante na política pública. Redes originalmente implantadas para atender necessidades governamentais passam a integrar uma infraestrutura permanente de conectividade aberta ao uso por diferentes prestadores de serviços.
Infovia 06
A próxima fronteira da expansão
Embora ainda não tenha iniciado sua implantação, a Infovia 06 já aparece como um dos maiores projetos previstos para o futuro do Norte Conectado. O trecho encontra-se em estudo de viabilidade técnica e econômica, mas os números apresentados demonstram sua dimensão. A futura rede deverá ligar municípios do Amazonas e do Acre, passando por localidades como Manacapuru, Fonte Boa, Cruzeiro do Sul e Rio Branco.
O projeto prevê:
- 2.485 quilômetros de fibra óptica;
- 2.203 quilômetros subfluviais;
- 282 quilômetros terrestres;
- atendimento a oito localidades;
- conexão de 104 órgãos públicos;
- benefício estimado para 538,9 mil habitantes.
Caso seja confirmada após os estudos técnicos e econômicos, será uma das maiores infovias do programa tanto em extensão quanto na complexidade da engenharia necessária para sua implantação.
Infovia 08
Mais uma rota para ampliar a cobertura amazônica
Também em fase de estudos está a Infovia 08. Embora o governo ainda não tenha iniciado sua implantação, a apresentação já traz as estimativas de capacidade do projeto. A futura rede deverá possuir 2.766 quilômetros de fibra óptica totalmente subfluvial, tornando-se uma das maiores rotas individuais previstas no Norte Conectado.
Segundo o planejamento preliminar, atenderá:
- oito localidades;
- 91 órgãos públicos;
- aproximadamente 239,4 mil habitantes.
Somadas, as Infovias 06 e 08 acrescentariam mais de 5.250 quilômetros de fibra óptica à malha pública construída na Amazônia, ampliando significativamente a capacidade de transporte de dados na região.
Cronograma
O balanço apresentado pelo Ministério das Comunicações mostra que o Programa Norte Conectado entra agora em uma fase de intensa aceleração. Até o início de julho estão previstas quatro entregas consideradas estratégicas:
- operação comercial definitiva da Infovia 03;
- operação comercial definitiva da Infovia 04;
- operação antecipada da Infovia 02;
- início do lançamento dos cabos da Infovia 05.
Ao mesmo tempo, prosseguem os preparativos para incorporar a Infovia 07 e concluir os estudos das Infovias 06 e 08.
Na avaliação do governo, essa sequência permitirá transformar o Norte Conectado de um conjunto de obras isoladas em uma malha regional de infraestrutura digital. Embora o discurso oficial destaque principalmente a ampliação da conectividade, a apresentação deixa claro que o programa possui objetivos mais amplos.
A chegada da fibra óptica busca criar uma infraestrutura capaz de suportar serviços públicos digitais, redes móveis, aplicações corporativas, provedores regionais de internet, educação, saúde e futuras aplicações de inteligência artificial. Durante o evento, Frederico de Siqueira Filho afirmou que cada entrega produz impactos que vão além da simples expansão da banda larga. “Quando a gente conecta uma escola, instala uma antena de telefonia móvel, liga uma infovia ou capacita jovens por meio dos programas de inclusão digital, estamos mudando a vida das pessoas.”
Segundo o ministro, essa estratégia procura combinar infraestrutura física com políticas públicas voltadas à inclusão digital e à geração de oportunidades econômicas nas regiões atendidas. Na avaliação do ministro, essa integração aumentaria a redundância da conectividade amazônica e abriria novas rotas de comunicação em direção ao Oceano Pacífico, reduzindo a dependência exclusiva dos caminhos tradicionais que seguem para o litoral atlântico brasileiro.
O conjunto das informações apresentadas durante o evento revela uma mudança importante na forma como o governo passou a tratar as redes de telecomunicações na Amazônia.
Originalmente concebido para levar conectividade a municípios isolados, o Norte Conectado passa agora a ser apresentado como parte da infraestrutura estratégica nacional, ao lado da Rede Privativa da Administração Pública Federal, da expansão do 5G, da cobertura 4G em áreas rurais, dos futuros data centers voltados à inteligência artificial, dos satélites de baixa órbita, do satélite geoestacionário brasileiro e dos cabos submarinos internacionais.
Nesse contexto, as infovias deixam de ser apenas um projeto regional de inclusão digital para integrar uma política mais ampla de fortalecimento da infraestrutura crítica do país.
Ainda assim, os resultados concretos do programa serão medidos menos pela quantidade de quilômetros de fibra óptica lançados nos rios amazônicos e mais pela capacidade de transformar essa infraestrutura em serviços efetivamente disponíveis para a população. O desafio passa a ser converter a rede construída em maior competição entre operadoras, redução do custo da banda larga, melhoria da qualidade das conexões e ampliação do acesso de escolas, hospitais, repartições públicas e comunidades que durante décadas permaneceram à margem da infraestrutura digital brasileira.







