Conectividade escolar e inclusão digital entram no debate do Abrint Global Congress

A discussão sobre conectividade como ferramenta de inclusão social ganhou espaço no Abrint Global Congress, evento que reúne representantes do setor de telecomunicações para debater infraestrutura, acesso e políticas públicas. Entre os participantes está a Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), responsável pela execução do programa Aprender Conectado.

O presidente da entidade, Flávio Santos, participa do painel “Conectividade que Gera Aprendizado: Qual a Solução Sustentável de Longo Prazo?”, que aborda os desafios de levar internet de qualidade a regiões mais isoladas e, principalmente, de manter esse acesso de forma contínua e eficiente ao longo do tempo. A discussão gira em torno de modelos sustentáveis de financiamento, operação e expansão da conectividade, especialmente no ambiente educacional.

O debate reúne também representantes de organismos internacionais e instituições financeiras. Ana Verenoso, da União Internacional de Telecomunicações (UIT), ligada à ONU, contribui com uma visão global sobre inclusão digital e políticas de conectividade. Já Maria Parreiras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), traz a perspectiva de financiamento e apoio a iniciativas que ampliem o acesso à internet e à educação em áreas menos atendidas.

A participação da Eace ocorre em um momento em que a conectividade escolar segue como um dos principais desafios da transformação digital no país. Embora o acesso à internet tenha avançado nos últimos anos, ainda há uma parcela significativa de escolas públicas, principalmente em regiões rurais, indígenas e periféricas, que enfrentam limitações de infraestrutura, qualidade de sinal e estabilidade de conexão.

Nesse cenário, o programa Aprender Conectado aparece como uma das iniciativas estruturantes. A proposta é levar internet de alta velocidade a cerca de 40 mil instituições públicas de ensino localizadas em áreas remotas ou com baixa cobertura. O objetivo vai além do acesso básico: busca garantir condições para o uso pedagógico da internet, com impacto direto no processo de ensino e aprendizagem.

O programa integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), uma política pública coordenada pelos ministérios da Educação e das Comunicações. A meta é conectar aproximadamente 138 mil escolas em todo o Brasil, ampliando o acesso à tecnologia como parte da rotina educacional.

A discussão no Abrint Global Congress reforça um ponto recorrente entre especialistas: não basta expandir a infraestrutura, é necessário garantir qualidade, continuidade e uso efetivo da conectividade. Isso envolve desde investimentos em redes até formação de professores, desenvolvimento de conteúdo digital e modelos de gestão que assegurem a sustentabilidade das iniciativas no longo prazo.