
Começou hoje (09) e segue até amanhã, o seminário “Futuro Digital – Construindo uma Estratégia para o Brasil”. O evento tem por objetivo ser um espaço de discussão sobre os rumos da transformação digital brasileira, através da revisão da Estratégia Nacional de Transformação Digital (E-Digital), que teve a fase de consulta pública encerrada nesta quarta-feira (08). Representantes de diversos setores do governo, especialistas, setor produtivo e sociedade civil estão em Brasília contribuindo para essa discussão.
Ao participar da abertura, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que a revisão da estratégia nacional ocorre em um contexto em que “a conectividade e os serviços digitais moldam a economia mundial, a gestão pública e o cotidiano da população”. E o Brasil, segundo ele, chega a essa etapa com um conjunto de políticas já em execução e resultados concretos que podem orientar os próximos passos da agenda .
Frederico ressaltou que o governo pretende transformar o Brasil em um polo relevante para processamento e armazenamento de dados, com foco no desenvolvimento de inteligência artificial. “A gente defende que o Brasil será o grande hub de tecnologias de processamento e armazenamento de dados para rodar a inteligência artificial”, afirmou, destacando como desafio central a criação de modelos de IA e grandes modelos de linguagem (LLMs) adaptados à língua portuguesa, com potencial de expansão para a América Latina e países lusófonos . Nesse contexto, ele enfatizou que o país precisa estruturar uma base tecnológica capaz de sustentar esse avanço, combinando expansão de redes, atração de data centers e financiamento adequado.
A estratégia delineada pelo Ministério das Comunicações passa por um conjunto de ações integradas, que incluem a ampliação da infraestrutura de conectividade por meio de fibra óptica e satélites, além do fortalecimento de instrumentos de financiamento. O ministro destacou o engajamento do Ministério da Fazenda e de bancos de fomento internacionais na busca por recursos para viabilizar essa expansão. “A gente vem conversando com vários bancos de fomento internacionais, acreditando nesse modelo e acreditando na expansão da infraestrutura digital no Brasil”, disse .
Ao mesmo tempo, o discurso reforçou que a política digital não se limita aos grandes centros urbanos. O ministro apontou como prioridade a inclusão digital em regiões remotas do país, alinhada à visão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar cidadania e acesso a serviços públicos digitais. “Uma coisa é você gerar, armazenar e processar dados nos grandes centros. Outra coisa é nos cantos e recantos do Brasil”, afirmou, associando a agenda digital à melhoria da qualidade de vida da população .
Entre as iniciativas em curso, ele destacou a expansão do 5G, com novos leilões previstos para ampliar a capilaridade da rede, e a implementação de políticas de conectividade em rodovias federais, com impacto direto sobre logística, segurança pública e geração de demanda por serviços digitais. Também citou a reativação do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), que estava paralisado há anos e já teve mais de R$ 4 bilhões aprovados para investimentos em infraestrutura, incluindo expansão de fibra e data centers. Segundo o ministro, esses recursos devem permitir a conexão de milhares de lares e centenas de municípios .
A Amazônia também aparece como eixo estratégico da política digital. O governo pretende ampliar a conectividade na região, tanto para inclusão da população quanto para viabilizar aplicações de monitoramento ambiental, incluindo o combate ao desmatamento por meio de sensoriamento remoto via satélite. “A gente não esquece da Amazônia, do Norte Conectado”, disse, associando o uso de tecnologia à preservação ambiental e à produção de conteúdo regional .
Outro ponto enfatizado foi o impacto da transformação digital sobre o mercado de trabalho. O ministro destacou a necessidade de formação de mão de obra qualificada e a atuação conjunta com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a academia para inserir mais jovens nesse setor. “A gente sabe da especialidade que é esse tema”, afirmou, defendendo que a agenda digital pode contribuir para reduzir desigualdades e ampliar o letramento digital .
Ao final, Frederico de Siqueira Filho reforçou que a construção da nova estratégia digital deve ser colaborativa, envolvendo governo, iniciativa privada, academia e sociedade civil. Para ele, o momento é oportuno para consolidar uma visão de longo prazo que integre infraestrutura, inclusão e desenvolvimento econômico. “Revisar a estratégia digital é muito importante e a gente está no momento correto de fazer isso”, disse, acrescentando que a transformação digital no Brasil “está em curso e precisa seguir com consistência” para garantir acesso a oportunidades a todos os cidadãos







