Impacto no mercado nacional de TI da guerra entre Rússia e Ucrânia


Por André Fernandes* – Estamos vivendo a cerca de 20 dias, uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e o mundo está em polvorosa com a possibilidade da expansão deste conflito para os países da Comunidade Europeia. Dito isto vale salientar que a guerra que iremos tratar neste texto é a guerra cibernética, que já está e andamento a mais tempo (pelo menos a 2 meses, segundo relatos) e que já tem gerado diversos impactos no mundo digital.

Várias grandes empresas do setor de TI estão abandonando o mercado russo e migrando suas operações para os mercados mais distantes da guerra, como exemplos podemos citar a Amazon, o Google e a Meta (Facebook WhatsApp e Instagram).

A Ucrânia, tem convocado especialistas em TIC para ajudar no combate aos exércitos russo de Hackers e isto tem gerado furor na comunidade mundial de profissionais de segurança da informação. Diversos profissionais estão se colocando a disposição para ajudar um ou outro lado e tem atuado via internet para buscar uma vitória nesta guerra.
Já existem relatos de ataques a redes da Rússia que partiram de IPs brasileiros e em breve deveremos ter também relatos semelhantes para ataques a Ucrânia, o que isto pode gerar para o mercado nacional de TI?
Muitos profissionais brasileiros da área segurança da informação têm migrado para outros países em busca de melhores condições de trabalho e salários mais atraentes, na América do Norte (principalmente Canada e EUA) e na Europa (em especial Portugal, Alemanha e Espanha). Portugal apesar de ter os salários mais baixos da Europa possui atrativos extras como a língua e a possibilidade de adquirir a cidadania para, aí sim, poder trabalhar em qualquer um dos países da Europa sem problemas legais.

O que isto tem a ver com o mercado Brasileiro??

Esta situação tem um potencial enorme para atingir o mercado brasileiro, afinal de contas com a falta de incentivos a área de Ciência e Tecnologia o mercado tem se tornado cada vez menos atrativo, temos enfrentado dificuldades para formar novos profissionais e, principalmente, como dito anteriormente, mantê-los. Sendo assim precisamos salientar que a continuar a fuga de profissionais teremos em breve uma escassez que poderá causar graves danos a nossa capacidade de manutenção e inovação no mercado de TI, por falta de profissionais e de investimentos.

O Governo Federal ainda está em franca campanha para privatizar ou liquidar as Empresas de Tecnologia que estão hoje sob a sua tutela (CEITEC, SERPRO e DATAPREV), e isto pode ser ainda mais prejudicial, pois aí teremos empresas privadas controlando um mercado que precisara de profissionais. A possibilidade de migração destas empresas para mercados com abundância de profissionais será muito grande. Este tipo de migração, caso se confirme, irá colocar o Brasil numa situação extremamente frágil pois não teremos profissionais nem recursos para enfrentar os desafios do mercado internacional.

Precisamos que as diversas esferas governamentais e as entidades representativas da classe profissional de TI atuem no sentido de proteger o mercado interno, buscando manter os profissionais e as empresas que estão hoje no mercado brasileiro a fim de garantir o futuro e possibilitar que o país não seja um alvo fácil de futuros ataques cibernéticos de outras nações.

As entidades de classe devem também atuar no sentido de valorizar os profissionais e buscar fomentar a capacitação continua destes para que não fiquemos “parados no tempo” enquanto o resto do mundo está em constante evolução.
Com a cada vez mais próxima chegada do 5G ao Brasil estaremos aptos a crescer e a nos aproximar de outros países em questões relativas a TI mas para isso precisamos de profissionais, capacitação e investimentos.

Vamos então cobrar de nossos gestores e governantes para que estes atuem fortemente no sentido de preservar o mercado nacional de TI e assim evitarmos que a esta nova fonte de riqueza (informação) caia nas mãos dos outros países e nos torne reféns destes.

*André Fernandes– Analista de Sistemas do SERPRO, Especialista em Segurança da Informação e aluno do MBA em Formação de DPO em LGPD e GDPR do IESB