Concentração Ascenty e Casa dos Ventos passa na Superintendência-Geral do Cade

O Superintendente-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Alexandre Berreto de Souza, aprovou, sem restrições, o ato de concentração nº 08700.003240/2026-28 que formaliza a estratégia da Ascenty Data Centers e Telecomunicações S.A. de se integrar à geração de energia renovável por meio de parceria com a Casa dos Ventos S.A. A decisão chancela um modelo em que operadores de infraestrutura digital passam a atuar diretamente na produção da energia que consomem.

O despacho da Superintendência-Geral é objetivo ao autorizar a operação, mas o alcance do movimento é mais amplo. A estrutura envolve a entrada da Ascenty em projetos de geração desenvolvidos pela Casa dos Ventos, criando um arranjo típico de autoprodução. Nesse modelo, o consumidor deixa de ser apenas comprador de energia e passa a ter participação societária nos ativos que garantem o fornecimento.

Na avaliação concorrencial, o Cade não identificou riscos relevantes. A aprovação sem restrições indica que o órgão não vê prejuízo à competição nem no mercado de data centers nem no setor elétrico, mesmo diante da integração entre consumo intensivo e geração.

O sinal regulatório é direto. A decisão legitima a verticalização parcial entre infraestrutura digital e energia em um momento em que o acesso à capacidade elétrica se tornou fator crítico para novos investimentos em data centers. Ao garantir fornecimento de longo prazo, empresas do setor reduzem exposição a oscilações de preço e incertezas de conexão à rede.

O movimento também reposiciona o papel da energia renovável dentro da economia digital. Projetos eólicos e solares deixam de ser apenas fornecedores e passam a integrar a estratégia operacional de grandes consumidores, criando vínculos de longo prazo que tendem a acelerar investimentos.

Na prática, o Cade abre caminho para um novo padrão de expansão da infraestrutura digital no país. Em vez de depender exclusivamente do mercado de energia, operadores de data centers passam a internalizar parte da geração como condição para crescer. Um modelo que tende a se repetir à medida que a demanda por processamento de dados avança e pressiona o sistema elétrico.