
Estatal confirma que enfrentou os maiores volumes de ataques DDoS de sua história, mas assegura que sistemas permaneceram protegidos. Presidente Wilton Mota e diretor de Operações explicam medidas de defesa adotadas pela empresa.
O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) esclareceu que o ataque cibernético “sem precedentes” contra o Gov.br, mencionado pelo diretor de Novos Negócios e Inteligência de TI, André Picoli Agatte, durante a II Semana de Inteligência Artificial da estatal, refere-se ao cenário de ofensivas de negação de serviço distribuído (DDoS) enfrentadas pela empresa. Segundo o Serpro, sua infraestrutura tecnológica registrou, ao longo do último semestre, os maiores volumes desse tipo de ataque de sua história, mas não houve interrupção, impacto ou comprometimento dos ambientes que integram o ecossistema Gov.br.
A manifestação esclarece o contexto da declaração de Agatte, feita durante um evento público transmitido pelo YouTube, que contou com a participação do presidente do Serpro, Wilton Mota. Na ocasião, o diretor abordava os desafios impostos pela crescente sofisticação dos ataques cibernéticos e a necessidade de investimentos permanentes em segurança digital.
“Essa semana nós tivemos um ataque sem precedentes ao GovBR, enfim, às nossas estruturas, e nós temos conseguido responder. Nós temos mostrado resiliência e temos mostrado capacidade de resistir”, afirmou Agatte.
A declaração não fazia parte de uma apresentação específica sobre segurança cibernética. O diretor utilizou o episódio para exemplificar as ameaças enfrentadas diariamente pelo Serpro e destacar a capacidade de resposta da empresa. “É evidente que isso também nos impõe desafios de investimento, de cada vez mais ir aprimorando a nossa capacidade de resistir e ser o grande guardião dos dados da população brasileira”, acrescentou.
Em seu esclarecimento, o Serpro explicou que os ataques DDoS buscam tornar serviços digitais indisponíveis mediante uma sobrecarga de acessos. Segundo a estatal, as equipes responsáveis pela segurança da informação e resposta a incidentes atuaram de forma tempestiva, utilizando protocolos de mitigação e defesa para impedir consequências sobre os serviços públicos.
O presidente do Serpro, Wilton Mota, destacou que a intensidade dessas ofensivas evidencia a importância estratégica da infraestrutura digital brasileira. “O Serpro tem a responsabilidade de proteger ativos fundamentais para o funcionamento do país e para a prestação de serviços à população. Seguiremos investindo em segurança, inteligência e soberania digital para garantir a continuidade e a confiabilidade dos serviços públicos digitais”, afirmou.
Já o diretor de Operações, Wallyson Oliveira, responsável pela área mais diretamente envolvida na continuidade e proteção dos ambientes tecnológicos, confirmou que a estatal enfrentou ataques de grande escala e intensidade, exigindo elevado nível de preparação das equipes técnicas.
“Nossas equipes atuaram de maneira coordenada, utilizando mecanismos avançados de monitoramento, detecção e mitigação. É importante destacar que toda essa atividade ocorreu sem impacto na disponibilidade ou na integridade dos ambientes do ecossistema gov.br”, declarou Oliveira.
A importância da resposta está relacionada à dimensão alcançada pelo Gov.br. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a plataforma reúne aproximadamente 179,5 milhões de contas, oferece mais de 5,3 mil serviços digitais federais e está integrada a cerca de 4 mil sistemas. Por meio dela, os brasileiros acessam serviços como Meu INSS, Meu SUS Digital, Carteira de Trabalho Digital, Carteira Digital de Trânsito e assinatura eletrônica de documentos. A preservação da disponibilidade e da segurança desse ambiente é essencial para garantir o acesso da população a direitos, benefícios e serviços públicos.
As ofensivas também se inserem em um cenário de ameaças que já vinha sendo relatado pela direção do Serpro. Em entrevista publicada pelo Capital Digital em 8 de outubro, Wilton Mota revelou que a estatal enfrentava diariamente uma “enxurrada de agentes de IA” tentando acessar seus sistemas e explorar vulnerabilidades. Na ocasião, o presidente destacou a necessidade de ampliar a estrutura de proteção cibernética e mencionou o projeto de expansão do Centro de Operações de Segurança (SOC) para atender outros órgãos federais. Não há, entretanto, indicação de que essas atividades estejam diretamente relacionadas aos ataques DDoS agora esclarecidos pela empresa.
A nota oficial confirma, portanto, que a expressão “sem precedentes” utilizada por André Picoli Agatte estava associada à intensidade histórica das ofensivas enfrentadas pelo Serpro. Embora não apresente indicadores quantitativos nem individualize o ataque mencionado pelo diretor naquela semana, a estatal assegura que os mecanismos de defesa impediram qualquer consequência para os ambientes do Gov.br.
O Serpro informa ainda que mantém monitoramento permanente de sua infraestrutura, 24 horas por dia, e que continuará investindo em segurança para preservar a estabilidade dos serviços digitais utilizados pela população brasileira.
Leia a nota oficial do Serpro:
O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) esclarece que, ao longo do último semestre, sua infraestrutura tecnológica registrou os maiores volumes de ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) de sua história. Essa modalidade de incidente cibernético tem como objetivo exclusivo tentar indisponibilizar ambientes digitais mediante sobrecarga de acessos. Diante dessas investidas, a equipe de segurança da informação e resposta a incidentes do Serpro atuou de forma tempestiva, aplicando protocolos rigorosos de mitigação e defesa.
Dessa forma, ressaltamos que não houve qualquer tipo de impacto, interrupção ou comprometimento dos ambientes que compõem o ecossistema do sistema gov.br. O Serpro segue operando com máxima vigilância, mantendo seus sistemas monitorados 24 horas por dia para assegurar a estabilidade e a segurança dos serviços prestados aos cidadãos brasileiros.
Sobre o caso, o presidente do Serpro, Wilton Mota ressalta que o volume e a intensidade desses ataques demonstram a relevância estratégica das infraestruturas digitais do Estado brasileiro. “O Serpro tem a responsabilidade de proteger ativos fundamentais para o funcionamento do país e para a prestação de serviços à população. Seguiremos investindo em segurança, inteligência e soberania digital para garantir a continuidade e a confiabilidade dos serviços públicos digitais”, afirma.
Já o diretor de Operações da estatal, Wallyson Oliveira, reforça que o Serpro enfrenta, neste período, ataques de grande escala e intensidade, exigindo elevado nível de preparação e capacidade de resposta. “Nossas equipes atuaram de maneira coordenada, utilizando mecanismos avançados de monitoramento, detecção e mitigação. É importante destacar que toda essa atividade ocorreu sem impacto na disponibilidade ou na integridade dos ambientes do ecossistema gov.br. Isso demonstra a robustez da nossa infraestrutura e o comprometimento permanente dos nossos profissionais”, conta.







