
De malas prontas para deixar a presidência da EAF – entidade responsável pela montagem da infraestrutura de comunicações do governo com recursos do leilão do 5G, Gina Marques parece não querer largar o osso. Após uma gestão turbulenta, marcada por atritos com a Anatel e conflitos internos, a presidente tenta manter sua influência mesmo com a saída prevista para segunda-feira. Em outros veículos já chegou a anunciar que não sairá sozinha, que novas mudanças na direção da entidade virão.
Trata-se do primeiro caso de uma pessoa que anuncia a sua demissão, mas enquanto não larga a lojinha promove mudanças e demissões, se valendo da tinta de uma caneta que, em tese, já não tem, uma vez que por iniciativa própria anunciou a sua saída da EAF.
Nos últimos dias no cargo, Gina promoveu uma verdadeira dança das cadeiras. Lembrando que, para este blog, ela já havia sido ejetada do cargo desde a semana passada. Anunciou, por exemplo, a substituição do diretor Administrativo e Financeiro, Rorício Vasconcelos, com quem acumulava divergências. Pelo regimento, ele seria seu substituto interino até a escolha de um novo presidente.
Outra canetada foi a promoção de Gustavo Abdalla, até então gerente de Logística, à Superintendência de Gestão Estratégica, responsável por coordenar o estudo da TV 3.0. Se aprovado pela Anatel, o projeto deverá movimentar mais de R$ 3 bilhões das sobras a partir de 2027. Mas Abdalla tem carreira na área administrativa. Nenhuma experiência conhecida em engenharia, telecomunicações ou radiodifusão, setores diretamente ligados ao projeto que passará a coordenar.
E a dança das cadeiras pode estar longe do fim. Segundo apurou o blog, Gina também prometeu a demissão de outros diretores e gerentes. Até segunda-feira, mais cabeças podem rolar na EAF. Em entrevista à imprensa, a própria Gina antecipou novas mudanças na estrutura da entidade. O detalhe é que, após deixar a presidência, não deveria ter mais autoridade para contratar, demitir ou dar ordens na EAF.
Temendo novas confusões, o Conselho Deliberativo chegou a suspender temporariamente, na semana passada, a formalização de novos atos administrativos pela Diretoria-Geral. A medida, porém, aparentemente não impediu as movimentações de pessoal. Como disse, é o único caso que o blog conheça em Brasília, de uma autoridade pedir as contas e depois sair depenando a área que comandava.
Mas parece que, quando se fala de Gina Marques, confusão não é novidade. Também há registros da passagem meteórica e conturbada dela pela EACE (entidade que conduz a política de conectividade escolar). Lá ela já foi apontada ao blog como uma pessoa de “difícil trato”.
Na Postal Saúde, onde ocupou a Diretoria Administrativa e Financeira, também enfrentou conflitos com a presidência e foi alvo de denúncias de irregularidades e assédio moral. Deixou o cargo antes de uma posterior mudança no comando da instituição. Neste caso, não foi localizado nenhum escândalo administrativo que pudesse ser atribuído à ela, embora os comentários de diversas fontes apontem sempre nessa direção.
Alguns profissionais que trabalharam com Gina na Postal Saúde e saíram em meio a conflitos internos voltaram à cena na EAF, ocupando cargos após sua chegada à presidência. Gina estaria movimentando também esse pessoal para ocupar postos-chave na entidade, na qual ela supõe que manterá o controle mesmo após a saída.
Agora, com a demissão oficialmente anunciada por ela na imprensa, resta saber quantas cabeças ainda irão rolar e se a influência e mão pesada de Gina sobreviverá à sua despedida.







