Governo coloca data centers e cabos submarinos no centro da infraestrutura para expansão da IA

A expansão da inteligência artificial no Brasil dependerá de uma infraestrutura digital capaz de suportar o aumento do processamento, armazenamento e circulação de dados. Ao abrir nesta terça-feira (6) o Futurecom 2026, em São Paulo, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, colocou data centers, redes de telecomunicações e cabos submarinos no centro da estratégia do governo para preparar o país para essa nova demanda.

“Não existe inteligência artificial sem infraestrutura digital”, afirmou o ministro. Segundo ele, a transformação digital não pode ser tratada separadamente dos investimentos necessários para sustentar o crescimento das novas tecnologias. “Falar de transformação digital é, antes de tudo, falar de infraestrutura e desenvolvimento nacional.”

Na avaliação de Frederico, a expansão das redes também precisa reduzir as diferenças regionais. A conectividade passou a ser essencial para o acesso à saúde, educação, serviços públicos e financeiros, além de novas formas de trabalho e geração de renda. “Essa infraestrutura precisa chegar também às regiões mais distantes dos grandes centros para, de fato, se transformar em oportunidades”, afirmou.

O avanço da digitalização, porém, cria uma segunda camada de demanda. Quanto mais serviços e atividades migram para o ambiente digital, maior é a necessidade de capacidade computacional, armazenamento de dados, serviços de nuvem, data centers, redes móveis e conexões internacionais de alta capacidade.

Data centers

O ministro afirmou que o Brasil já ocupa a 12ª posição entre os maiores mercados de data centers do mundo e que os investimentos no setor podem alcançar R$ 100 bilhões nos próximos quatro anos. Para o governo, ampliar essa infraestrutura será particularmente importante diante do crescimento da inteligência artificial, que exige grandes volumes de capacidade computacional e energia.

O Ministério das Comunicações prepara uma Política Nacional de Data Centers voltada à redução de entraves burocráticos, maior previsibilidade regulatória e aceleração dos investimentos. A intenção é também estimular uma distribuição regional da infraestrutura, hoje fortemente concentrada em determinados polos.

Essa estratégia se soma ao Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, o Redata, criado para reduzir custos de implantação e atrair novos investimentos. “O Redata ajuda a atrair investimentos, enquanto a política de data centers busca distribuir os benefícios de forma regional, pavimentando o caminho para que esses investimentos saiam do papel”, disse Frederico.

O ministro também destacou a entrada do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) no financiamento dessa infraestrutura. Em janeiro, foi aprovada a primeira operação do fundo destinada à construção, ampliação e modernização de data centers.

São R$ 233 milhões para a expansão de um empreendimento em Fortaleza. Segundo Frederico, o data center deverá atingir capacidade de 20 megawatts até 2029 e gerar aproximadamente 400 empregos.

A operação amplia o alcance do Fust para além do financiamento tradicional de redes de telecomunicações e coloca o fundo também como instrumento de apoio à infraestrutura de processamento e armazenamento de dados.

Cabos submarinos

Outra frente considerada estratégica pelo governo é a infraestrutura que conecta o Brasil às redes internacionais. O Ministério das Comunicações trabalha na elaboração de uma Política Nacional de Cabos Submarinos, com foco no aumento da resiliência das conexões e na diversificação dos pontos de entrada e saída de dados do país.

Entre os projetos citados pelo ministro está a expansão do cabo Malbec no Rio Grande do Sul. O empreendimento prevê aproximadamente 280 quilômetros de conexão submarina e uma estação de ancoragem em Balneário Pinhal.

A infraestrutura deverá se tornar o primeiro cabo submarino internacional com chegada direta à Região Sul do Brasil. A previsão apresentada pelo ministro é de início das operações em dezembro.

Para Frederico, embora data centers, cabos submarinos e grandes redes de telecomunicações sejam estruturas pouco visíveis para o usuário final, seus efeitos aparecem diretamente no funcionamento da economia digital.

“São investimentos que podem parecer distantes da rotina de uma família. Mas, na prática, significam mais capacidade e mais segurança para uma videoconferência, para uma empresa que acessa serviços em nuvem, para uma operação financeira ou para um serviço público digital”, afirmou.

Infraestrutura

O ministro defendeu que o Estado tenha papel de indutor dessa expansão, criando condições para os investimentos privados, reduzindo incertezas regulatórias e garantindo que a infraestrutura alcance regiões onde os investimentos exclusivamente comerciais podem não ser suficientes.

Segundo ele, esse processo também passa pela expansão da fibra óptica, das redes 4G e 5G e dos programas de conectividade das escolas públicas. Durante o painel Brasil Digital, realizado no Futurecom, Frederico voltou a defender a participação da iniciativa privada nos projetos de inclusão digital e de expansão da infraestrutura.

Participaram do debate Claudia Viegas, sócia da Ecoa Consultoria Econômica; o conselheiro da Anatel Edson Holanda; e o deputado federal Juscelino Filho, presidente da Frente Parlamentar Mista de Telecomunicações e Soluções Digitais.

Para o ministro, a dimensão dos investimentos necessários torna inevitável a articulação entre governo, empresas, investidores e órgãos reguladores. “O Futurecom reúne centenas de especialistas, empresas, investidores, reguladores e profissionais de diferentes áreas justamente porque nenhum desses desafios será resolvido isoladamente.”