
O Ministério da Defesa renovou a habilitação de segurança da Atech Negócios em Tecnologia S.A. para o tratamento, armazenamento e controle de informações classificadas até o grau de sigilo Secreto no âmbito do Comando da Marinha. A autorização foi formalizada pela Portaria PC-MD nº 3.745, de 13 de julho de 2026, com validade de dois anos, e abrange tanto a empresa quanto três de suas instalações consideradas estratégicas: o Laboratório de Integração e Testes (LIT), a unidade Land Based Test Facility (LBTF) e o Data Center Corporativo.
Embora seja um ato administrativo de rotina para empresas que atuam em programas sensíveis de defesa, a publicação indica que a Atech permanece apta a participar de projetos militares que envolvam informações protegidas pela Lei de Acesso à Informação e pelo Decreto nº 7.845/2012, que regulamenta o tratamento de documentos classificados no âmbito da administração pública federal.
Para obter esse credenciamento, as empresas passam por um processo de avaliação conduzido pelo Sistema de Segurança e Credenciamento do Governo Federal. São verificados aspectos como segurança física das instalações, controle de acesso de pessoas, proteção das redes de tecnologia da informação, armazenamento de documentos, procedimentos operacionais, segurança do pessoal e mecanismos destinados a prevenir vazamentos ou acessos não autorizados a informações sensíveis.
A habilitação não significa que a empresa tenha acesso irrestrito a documentos classificados. Ela apenas certifica que sua infraestrutura atende aos requisitos exigidos para que, quando contratada, possa manipular informações protegidas até o grau Secreto, cuja divulgação indevida pode causar grave dano à segurança da sociedade ou do Estado. Informações classificadas como Ultrassecretas permanecem sujeitas a um nível superior de proteção.
Entre as instalações homologadas, chama atenção o Land Based Test Facility (LBTF). Esse tipo de laboratório reproduz em terra os sistemas que posteriormente serão embarcados em navios militares, permitindo a integração, validação e testes de radares, sensores, sistemas de combate, comunicações e softwares antes de sua instalação definitiva. A certificação desse ambiente indica que esses ensaios podem envolver documentação técnica classificada.
Outro ponto relevante é a habilitação do Data Center Corporativo, que passa a ser reconhecido pelo Ministério da Defesa como ambiente apto ao armazenamento e processamento de informações classificadas até o grau Secreto. A medida demonstra que não apenas os laboratórios, mas também a infraestrutura digital da empresa atende aos padrões de segurança exigidos pelo governo federal.
A portaria, entretanto, não informa quais programas da Marinha justificaram a renovação do credenciamento. Também não identifica contratos específicos nem os sistemas militares que utilizarão as instalações certificadas. Esse tipo de informação normalmente permanece protegido por envolver projetos estratégicos da Defesa Nacional.
A Atech é uma empresa brasileira especializada em sistemas críticos de comando e controle, integração de sensores, gerenciamento do espaço aéreo, sistemas navais e soluções para defesa e segurança. Desde 2013, a companhia é integralmente controlada pela Embraer Defesa e Segurança Participações S.A., subsidiária da Embraer dedicada ao segmento militar. Embora a Embraer possua capital aberto e uma base acionária com participação de investidores nacionais e estrangeiros, a Atech permanece sob controle societário da estrutura brasileira do grupo.
A renovação da habilitação reforça a posição da empresa como uma das principais fornecedoras nacionais de tecnologia para programas estratégicos das Forças Armadas. Entre os projetos em que a companhia já atuou estão sistemas de gerenciamento do tráfego aéreo, centros de comando e controle, integração de sistemas de combate e soluções empregadas em programas da Marinha e da Força Aérea Brasileira.
A publicação também evidencia um aspecto pouco percebido das contratações militares: além da capacidade técnica, empresas que desenvolvem tecnologias para defesa precisam manter continuamente certificadas suas instalações e processos de segurança para continuar aptas a participar de programas considerados sensíveis para a soberania nacional.
A Embraer também manteve a habilitação pelo Ministério da Defesa para trabalhar por dois anos com informações classificadas do Estado brasileiro no mais alto nível permitido por empresas privadas nesse contexto (Secreto). A Portaria PC-MD nº 3.748/2026 homologa a habilitação de segurança da Embraer e de duas instalações específicas da empresa para o tratamento de informações classificadas.
Foram credenciadas:
- Empresa: Embraer S.A.
- Sala de Segurança e Credenciamento: São José dos Campos (SP)
- Sala dos Servidores (Data Center): Gavião Peixoto (SP).






