Brasil registra alta de 46% em ataques cibernéticos e entra no ranking dos países mais afetados por ransomware

O Brasil registrou um aumento de 46% nos ataques cibernéticos em apenas um ano e passou a figurar entre os países mais impactados por ransomware, um dos tipos de crime digital mais prejudiciais para empresas e órgãos públicos. Os dados são da Check Point Research, divisão de inteligência em segurança cibernética da Check Point Software.

Segundo o levantamento, organizações brasileiras sofreram, em média, 4.118 ataques por semana em abril deste ano. O número supera com folga a média global, que ficou em 2.201 ataques semanais por organização. O cenário reforça o avanço das ameaças digitais no país e coloca setores estratégicos sob pressão crescente, especialmente áreas ligadas ao governo, educação e serviços empresariais.

A pesquisa também aponta que a América Latina voltou a liderar o ranking mundial de ataques cibernéticos, evidenciando a vulnerabilidade da região diante da atuação cada vez mais sofisticada de grupos criminosos especializados em invasões e extorsão digital.

Brasil entre os dez países mais afetados por ransomware

O relatório destaca ainda a escalada dos ataques de ransomware, modalidade em que criminosos sequestram sistemas ou dados e exigem pagamento para restabelecer o acesso. Em abril, o Brasil respondeu por 1,7% das vítimas globais desse tipo de ataque, garantindo lugar entre os dez países mais afetados do mundo.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os incidentes de ransomware cresceram 12% globalmente. O setor de serviços empresariais foi o principal alvo, concentrando cerca de um terço dos casos registrados em todo o planeta.

Especialistas alertam que esse tipo de ameaça pode causar prejuízos financeiros significativos, interrupção de operações e vazamento de informações sensíveis, afetando desde pequenas empresas até grandes corporações e instituições públicas.

Uso de inteligência artificial amplia desafios de segurança

Outro ponto que chama atenção no estudo é o impacto da adoção acelerada da inteligência artificial generativa dentro das organizações. De acordo com os pesquisadores, 90% das empresas que utilizam ferramentas de IA registraram, no último mês, o envio de comandos (prompts) com potencial risco de exposição de dados sensíveis.

O levantamento mostra ainda que o usuário corporativo médio utiliza cerca de dez plataformas diferentes de inteligência artificial e gera aproximadamente 77 prompts por mês. Esse comportamento aumenta os desafios relacionados à governança da informação, ao controle de dados e à conformidade com políticas de segurança digital.

Necessidade de reforço na proteção digital

Diante do crescimento das ameaças, especialistas recomendam que empresas e instituições reforcem investimentos em cibersegurança, ampliem programas de treinamento para colaboradores e adotem mecanismos de monitoramento contínuo. A combinação entre o avanço dos ataques e a rápida incorporação de novas tecnologias, como a inteligência artificial generativa, exige estratégias cada vez mais robustas para proteger dados e garantir a continuidade das operações.

Os números revelam que a segurança digital deixou de ser apenas uma preocupação do setor de tecnologia e passou a ocupar posição central na gestão de riscos de organizações públicas e privadas em todo o país.