Telebras apresenta lucro e abre caminho para independência orçamentária

A Telebras encerrou 2025 revertendo prejuízos históricos e consolidando um movimento de recuperação que reforça seu papel estratégico dentro da política pública de conectividade do governo federal. A Receita Operacional Líquida alcançou R$ 491 milhões em 2025, um avanço de 18,5% em relação aos R$ 414,3 milhões registrados em 2024. No recorte do quarto trimestre, o crescimento foi ainda mais expressivo, com alta de 22%, passando de R$ 131,6 milhões para R$ 160,6 milhões. O dado indica aceleração da demanda por serviços da estatal, especialmente na prestação de infraestrutura para órgãos públicos.

O resultado mais emblemático, no entanto, foi a reversão do prejuízo. A Telebras fechou o exercício com lucro de R$ 140,5 milhões, após registrar perda de R$ 66,6 milhões no ano anterior. Mesmo quando se excluem efeitos extraordinários, como o superávit da Sistel e ajustes não operacionais, a companhia apresentou lucro recorrente de R$ 40,6 milhões, contrastando com o prejuízo recorrente de R$ 255,1 milhões em 2024. Trata-se de um indicativo mais fiel da operação, mostrando que o desempenho positivo não se limita a eventos pontuais.

Outro indicador que reforça essa virada é o EBITDA ajustado, que atingiu R$ 373,2 milhões, um salto de 292,4% em relação ao ano anterior. O avanço reflete uma combinação de crescimento de receitas e controle mais rígido de custos e despesas operacionais, que passaram a evoluir em ritmo inferior ao faturamento.

Parte dessa melhora está diretamente associada ao contrato de gestão firmado com a União, por meio do Ministério das Comunicações, com acompanhamento do Ministério da Gestão e da Inovação. O modelo trouxe previsibilidade orçamentária e maior capacidade de execução para a estatal, reduzindo incertezas históricas sobre financiamento e ampliando sua sustentabilidade econômico-financeira.

Na prática, os resultados consolidam a Telebras como braço operacional das políticas públicas de conectividade, atuando no atendimento à administração pública nas três esferas. A empresa mantém atuação em infraestrutura de telecomunicações, incluindo redes de fibra óptica, satélite, data centers e serviços digitais, sustentando projetos estruturantes do governo federal.

O desempenho também reforça a centralidade da estatal em iniciativas de inclusão digital, como a conectividade de escolas, unidades de saúde e comunidades em regiões remotas. Ao ampliar a oferta desses serviços e melhorar sua eficiência operacional, a Telebras se reposiciona não apenas como executora de políticas públicas, mas como um ativo estratégico do Estado em um cenário de crescente disputa por infraestrutura digital e soberania de dados.

A trajetória recente sugere uma mudança de patamar. Depois de anos marcados por fragilidade financeira, a estatal passa a operar com geração de caixa e resultado positivo, o que pode ampliar sua capacidade de investimento e sua relevância dentro das discussões sobre infraestrutura crítica, data centers e conectividade nacional.