
Uso de inteligência artificial e integração de dados pode melhorar a gestão da saúde, educação e recursos públicos a partir de 2027
Com o início dos novos mandatos estaduais em janeiro de 2027, os governos terão pela frente o desafio de melhorar os serviços públicos, controlar despesas e dar continuidade a projetos já existentes. A tecnologia e a inteligência artificial surgem como ferramentas para enfrentar problemas antigos da administração pública, principalmente nas áreas de saúde, educação e gestão financeira.
Um dos principais desafios está na eficiência do gasto público. O uso de sistemas inteligentes pode acelerar a análise de documentos, identificar inconsistências em processos de compras e licitações e melhorar a fiscalização tributária. A automação também pode reduzir tarefas repetitivas e agilizar o atendimento ao cidadão, liberando equipes para atividades mais complexas.
Na saúde, a integração de dados pode ajudar a reduzir filas, organizar atendimentos e melhorar a distribuição de recursos. Pesquisa BTG/Nexus divulgada em agosto apontou que 30% dos brasileiros consideram a saúde a principal preocupação do país, atrás da segurança pública, mencionada por 35%. Com informações atualizadas sobre a demanda por serviços, os gestores podem identificar regiões com maior necessidade de atendimento e planejar ações antes que os problemas se agravem.
A educação enfrenta dificuldades semelhantes. Dados sobre matrículas, vagas disponíveis, transporte escolar e alimentação podem orientar a distribuição de recursos e facilitar o planejamento da rede pública. O cruzamento dessas informações permite identificar necessidades específicas de cada região e ajustar os serviços à realidade dos estudantes.
Outro obstáculo está na falta de integração entre os sistemas utilizados pelos órgãos públicos. Embora as administrações armazenem grandes volumes de dados, muitas informações permanecem dispersas, dificultando análises e decisões. A conexão entre áreas como saúde, educação, assistência social e finanças pode oferecer uma visão mais completa das necessidades da população e melhorar o planejamento das políticas públicas.
Para que essa integração funcione, também é necessário padronizar informações, melhorar a qualidade das bases de dados e estabelecer regras de segurança e privacidade. O tratamento das informações deve respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), enquanto o uso de inteligência artificial exige mecanismos de controle, transparência e avaliação de riscos.
A continuidade administrativa completa a lista de desafios. A troca de governos pode provocar atrasos, perda de informações e interrupção de projetos. Sistemas digitais capazes de armazenar históricos, documentos e processos ajudam a preservar o conhecimento institucional e permitem que novas equipes acompanhem iniciativas em andamento sem precisar recomeçar o trabalho.
Segundo especialistas da Betha Sistemas, empresa de tecnologia voltada à gestão pública, o avanço da digitalização depende menos da adoção isolada de novas ferramentas e mais da capacidade de utilizá-las para resolver problemas concretos. A inteligência artificial pode contribuir para decisões mais rápidas e fundamentadas em dados, mas seus resultados dependem da qualidade das informações, da supervisão humana e do planejamento dos gestores.
O desafio dos próximos governos será transformar esse potencial tecnológico em melhorias efetivas para a população, com serviços mais ágeis, melhor aplicação dos recursos e menor desperdício na administração pública.







