Redata abre caminho para energia nuclear abastecer expansão de data centers no Brasil

A aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) colocou a energia nuclear no centro de uma discussão que deve ganhar força com a expansão dos data centers e da inteligência artificial no Brasil. O texto aprovado pelo Senado estabelece que empreendimentos beneficiados pelo programa deverão atender sua demanda elétrica com fontes renováveis ou de baixa emissão de carbono.

A exigência abre espaço para que a energia nuclear seja considerada entre as alternativas para abastecer grandes estruturas digitais. A definição, no entanto, dependerá da regulamentação do Redata, que deverá estabelecer quais fontes poderão ser enquadradas como de baixa emissão.

O tema ganha importância diante do crescimento do consumo de energia provocado pela inteligência artificial. Data centers de grande porte precisam funcionar continuamente e demandam grandes volumes de eletricidade, tornando a disponibilidade, estabilidade do sistema e emissões de carbono fatores cada vez mais relevantes na escolha de onde instalar novos projetos.

Nesse cenário, a Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) defende que a energia nuclear seja reconhecida expressamente na regulamentação. A entidade argumenta que a geração nuclear reúne duas características importantes para o setor: baixa emissão de carbono durante a operação e capacidade de fornecer energia de maneira contínua, independentemente das condições climáticas.

“Os grandes data centers que sustentam a revolução da inteligência artificial precisam de energia confiável, contínua e de baixa emissão de carbono. É exatamente nesse ponto que a energia nuclear se destaca”, afirmou o presidente da ABDAN, Celso Cunha.

A aproximação entre data centers e energia nuclear já vem sendo discutida em outros mercados. Estados Unidos, Canadá e países europeus avaliam diferentes modelos para garantir o fornecimento de eletricidade necessário à expansão da infraestrutura de inteligência artificial e computação em larga escala.

No Brasil, o Redata busca tornar o país mais competitivo na atração de investimentos em data centers, reduzindo custos para novos projetos e estimulando pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. A matriz elétrica brasileira, com elevada participação de fontes de baixa emissão, aparece como uma das vantagens nessa disputa internacional por novos empreendimentos.

A regulamentação será, portanto, uma etapa decisiva. Caso a energia nuclear seja enquadrada entre as fontes de baixa emissão aceitas pelo Redata, o avanço dos data centers poderá representar uma nova frente de demanda para o setor nuclear brasileiro.

Com inteligência artificial, computação em nuvem e processamento de grandes volumes de dados pressionando o consumo de eletricidade, a discussão sobre novos data centers passa cada vez mais pela energia disponível para sustentá-los. No Brasil, o Redata pode aproximar definitivamente duas agendas que até pouco tempo caminhavam separadas: a expansão da infraestrutura digital e o futuro da geração nuclear.