
Por Paulo de Godoy*
À medida que as empresas aceleram seus processos, principalmente com a IA, um ponto se torna cada vez mais claro: os dados são fundamentais para o sucesso de qualquer negócio. Segundo projeções do DemandSage, o volume de dados gerado globalmente deve alcançar cerca de 221 zettabytes em 2026, um aumento de mais de 22% em relação aos 181 zettabytes projetados para 2025, o que reforça o ritmo exponencial de crescimento dos dados e a necessidade de abordagens robustas de governança e oberania para gerir esse volume crescente de informações.
Seja qual for o objetivo – inovação em IA, continuidade dos negócios ou competitividade a longo prazo –, tudo depende do nível de preparo, acessibilidade, segurança e qualidade da gestão desses dados. Quando as informações estão fragmentadas, presas a silos ou difíceis de governar, as iniciativas de IA perdem velocidade, os riscos aumentam e os retornos esperados ficam mais distantes. Em contrapartida, as empresas que operam sobre uma base de dados sólida conseguem inovar com mais agilidade, responder às mudanças do mercado e extrair valor concreto da IA.
A mesma lógica se aplica à continuidade dos negócios e à resiliência cibernética. À medida que os ciberataques se tornam mais sofisticados e as interrupções seguem afetando operações e cadeias de suprimentos, a resiliência passa a depender cada vez mais dos dados. A velocidade com que essas informações podem ser protegidas, recuperadas, compartilhadas e restauradas determina o ritmo com que a empresa consegue manter suas operações. Por isso, a gestão de dados deixou de ser uma preocupação restrita à TI e se tornou um requisito essencial para o negócio.
A soberania dos dados reforça ainda mais essa realidade. Em um cenário de maior incerteza geopolítica e de regulamentações mais rigorosas, as empresas precisam ter clareza sobre onde seus dados estão, como são governados e de que forma circulam. A recente pesquisa “Soberania de dados: uma nova era” mostra que 92% dos executivos avaliam que o atual contexto geopolítico ampliou significativamente os riscos à soberania dos dados, e 100% afirmam que esse cenário já os levou a reconsiderar onde mantêm informações críticas, evidenciando que a estratégia de dados tornou-se inseparável da confiança, da conformidade regulatória e da vantagem competitiva.
Ao mesmo tempo, os ambientes de dados tornaram-se mais complexos. Hoje, as informações se distribuem entre formatos de bloco, arquivo e objeto, em ambientes on-premises e na nuvem, sustentando uma ampla variedade de aplicações e usuários. Quando os dados são administrados por abordagens fragmentadas e excessivamente centradas no armazenamento, a complexidade aumenta, os custos se elevam e a agilidade se perde. O que as empresas precisam, portanto, é mudar o foco do gerenciamento da infraestrutura de armazenamento para o gerenciamento dos próprios dados.
Por isso, o futuro pertence às empresas que tratam os dados como um ativo estratégico e
unificado. Uma nuvem de dados corporativa, por exemplo, permite gerenciar informações de
forma consistente e inteligente em todo o ambiente, reduzindo a fragmentação e simplificando
a governança. Ao abstrair a complexidade operacional e incorporar automação orientada por políticas, esse modelo torna os dados mais acessíveis, seguros e resilientes, apoiando a inovação contínua sem comprometer a estabilidade do negócio.
Neste ano, a adaptabilidade definirá o sucesso. Modelos, plataformas e regulamentações de IA continuarão a evoluir, mas a vantagem estará nas organizações com uma base de dados sólida e ágil. Quando os dados são bem gerenciados, as empresas ganham liberdade para avançar com mais rapidez, escalonar com confiança e adotar novas tecnologias com menos fricção.
*Paulo de Godoy, country manager da Pure Storage.







