
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o governo federal já trabalha na definição de um novo satélite para substituir o atual Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), cuja vida útil remanescente é estimada em cerca de seis anos. Segundo ele, a decisão precisa ser tomada ainda este ano e está diretamente ligada ao tema da soberania nacional e ao controle estratégico das comunicações do Estado brasileiro.
De acordo com o ministro, a avaliação parte do reconhecimento de que o atual SGDC tem prazo limitado de operação, o que impõe ao governo a necessidade de planejar desde já a expansão do projeto satelital brasileiro. “A gente precisa, em função da nossa soberania nacional, ter também um satélite próprio sob a nossa gestão”, afirmou. A expectativa é que, ao longo deste ano, seja definido o caminho tecnológico e institucional que dará sustentação à próxima geração do programa.
Entre as alternativas em análise estão diferentes arquiteturas orbitais, incluindo soluções em órbita geoestacionária, média e baixa, ou mesmo um modelo híbrido. Frederico explicou que o debate não se restringe à escolha da órbita, mas envolve um conjunto mais amplo de critérios, como capacidade de conexão, prazo de entrega, tempo de vida útil do sistema e custo total da operação. “O que a gente está querendo entender é qual é a capacidade, o prazo de entrega, o custo e, principalmente, a capacidade de conectar pessoas”, disse.
A discussão é conduzida por um grupo de trabalho interministerial que reúne o Ministério das Comunicações, o Ministério da Defesa, a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional e instituições da área científica e tecnológica. O horizonte considerado é de aproximadamente seis anos, prazo que coincide tanto com o esgotamento da vida útil do satélite atual quanto com o tempo médio necessário para o desenvolvimento, fabricação e entrega de uma nova estrutura orbital.
Nesse contexto, o ministro confirmou que a estratégia do governo passa pelo fortalecimento da Visiona, criada justamente para estruturar projetos estratégicos na área espacial e satelital. Segundo ele, a ideia é aproveitar a experiência acumulada e reforçar o papel da empresa como braço técnico do Estado brasileiro nesse tipo de iniciativa de longo prazo.
Frederico de Siqueira Filho também comentou sobre a entrada de operadores chineses no mercado brasileiro de satélites de baixa órbita. A expectativa, segundo ele, é que os testes dessa tecnologia comecem ainda este ano no Brasil, com possibilidade de oferta de serviços à população até o fim do período. As regiões inicialmente consideradas para os testes incluem o Centro-Oeste e o estado de São Paulo, onde está sendo implantada a principal central de controle.
De acordo com o ministro, esses testes devem utilizar a infraestrutura lógica da Telebras, embora não envolvam a instalação física dentro das estruturas sensíveis da estatal. “Eles vão utilizar a parte lógica da nossa infraestrutura, mas não a estrutura física”, explicou, destacando que o modelo busca preservar a segurança e a governança dos sistemas estratégicos.
Ao tratar do financiamento de um novo satélite brasileiro, Frederico indicou que existem diferentes alternativas em estudo, incluindo bancos internacionais e eventual enquadramento no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para ele, a engenharia financeira será construída a partir da definição técnica do projeto. “Se a gente tiver um bom projeto, com impacto social, que gere desenvolvimento e soberania para o país, o recurso aparece”, afirmou.
O ministro reforçou que o fator tempo é decisivo e que o governo não pode adiar essa escolha. “A gente tem que definir esse ano qual é o caminho que vai seguir, para dar tempo de construir”, disse. Segundo ele, o interesse crescente de empresas e governos estrangeiros no mercado brasileiro mostra que o país se tornou estratégico no debate global sobre conectividade via satélite, sobretudo pela necessidade de conectar regiões remotas de forma rápida e eficiente.
Na avaliação do ministro, a próxima etapa do programa satelital brasileiro será decisiva não apenas para ampliar o acesso à conectividade, mas também para consolidar a autonomia tecnológica do país em um dos setores mais sensíveis da infraestrutura digital.







