A Tocha

O que a imprensa não traz, a Tocha traz

Serpro = Security

Quando forem olhar as agendas da AWS no Serpro, não confundam a presença do gerente de Desenvolvimento de Negócios da multinacional no Brasil, Cristiano Heckert, com a do gerente de Segurança da Huntress, Chris Hecker. Para que fique claro sobre quem é quem. Cristiano Heckert já foi secretário da antiga SLTI e de Gestão nos governos Lula e Bolsonaro. Já Christopher Hecker é da área de Segurança da Informação, parceiro da AWS, com passagem pelo FBI norte-americano. Da útima vez a big tech discutiu “nuvem soberana” no Serpro e levou um ex-diretor da CIA que virou seu executivo. *Chiquérrimo.

Fogo Amigo

A situação do diretor de Novos Negócios e Inteligência de TI do Serpro, André Picoli Agatte, é bastante delicada. Mas ele está sendo alvo de “fogo amigo”, os ataques não partem dos seus adversários, com interesse de tirá-o do cargo. Agatte já foi traído três vezes por aqueles que o sustentavam na diretoria, mas acabaram desempregados. Estão agora aplicando com ele a velha máxima popular:

“Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Luciana fica no MCTI

Até abril muita água pode rolar debaixo da ponte, mas as informações do momento dão conta de que a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, cogita ficar no cargo e não sair para disputar um mandato no Congresso Nacional. A questão seria partidária,  a crônica falta de votos no PCdoB. Sua presença na campanha eleitoral como candidata, poderia eliminar as chances do deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) de se reeleger. *Resta saber se Lula quer que ela fique. A conferir.

Dados da Saúde

É temerário deixar no DATASUS o controle da Rede Nacional de Dados da Saúde – uma megabase com bilhões de informações sobre registros médicos, exames laboratoriais, prescrições, vacinação e históricos de atendimento de todos os brasileiros. Não estou afirmando que os técnicos do órgão não tenham competência para gerir a operação da RNDS; a questão não é essa. Mas existem algumas implicações políticas não resolvidas pelo decreto do presidente Lula assinado em julho do ano passado.

Dados da Saúde II

Um desses problemas está no fato de o DATASUS ser apenas um departamento vinculado à Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde. Não é uma empresa estatal ou agência reguladora independente. Não tem controle multissetorial ou social. Sua governança estará sempre sujeita ao interesse político de quem responder pelo ministério, uma das pastas mais cobiçadas pelos partidos.

Dados da Saúde III

Ficam as seguintes indagações a serem respondidas futuramente: 1 – Qual partido político não gostaria de assumir o controle de um organismo, que nunca terá problemas de verbas – já que faz parte do orçamento de R$ 273,1 bilhões do Sistema Único de Saúde (SUS)? 2 – Vão deixar que uma única pessoa ou grupo político tenha poderes para decidir o que fazer com os bilhões de dados da saúde do brasileiro?

*As big techs certamente já devem estar amando essa possibilidade.

Festinha do barulho

Pegou muito mal a festa que a direção da Dataprev fez no Rio de Janeiro, para comemorar a migração da plataforma maiframe Unisys. Ao responder reportagem do portal Metrópoles, o presidente da estatal, Rodrigo Assumpção, chegou a declarar por meio de nota oficial, que a Dataprev podia se dar ao luxo de bancar as despesas com o evento, porque “é lucrativa e superavitária”. Tomou uma invertida do presidente do INSS, Gilberto Waller: “Não há motivo algum para festa”, declarou, explicando que o sistema não tem funcionado direito, “deixando os servidores irritados e o público a ver navios nas agências pelo Brasil”. Já sobre “bancar a festa”, este blog lembra que mais de 60% desse “superávit” da Dataprev – o percentual não é preciso – vem do consignado. Que virou alvo de investigação da CPI do INSS.

Telebras no 8 de março

De todas as estatais, a que mais tinha motivos para comemorar e reafirmar a sua opção pela igualdade de gênero no dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher – seria a Telebras. Pois trata-se da única empresa que tem uma mulher nas operações de funcionamento de um satélite no Brasil. E segundo informações, ela vem treinando uma equipe feminina para esse trabalho, garantindo que, no futuro, quando se aposentar, outra sucessora ocupe o seu lugar. Desde julho do ano passado vinha tentando entrevistar a funcionária. Não sei se ela não quis ou se simplesmente a estatal ignorou os meus pedidos. Cheguei a ponderar que seria uma bela pauta para o dia 8 de março mas, nada, nenhuma resposta. Fica difícil mostrar a importância de uma empresa pública para o país – que já foi indevidamente cogitada de ser privatizada – se ela mesmo não se ajuda. Vida que segue.

Trump nas Eleições

Recomendo a leitura da entrevista exclusiva que o professor da UnB (Universidade de Brasília), Alcides Costa Vaz – do Departamento de Relações Internacionais – concedeu ao jornal Correio da Manhã. Ele já tem uma avaliação clara de que o presidente dos EUA, Donald Trump, irá influenciar as eleições presidenciais de outubro no Brasil. A tentativa de visita de um assessor dele ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, que acabou negada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), seria um indicativo disso.
https://flip.jornalcorreiodamanha.com.br/books/CM-24976-Caderno-Nacional

Celepar

Cada dia mais complicado o processo de privatização da Celepar. E tudo indica que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, irá passar esse pepino de herança para o vice. Mas não escapará na campanha presidencial, de ter de responder sobre as diversas irregularidades constatadas durante a sua tentativa de vender a estatal de TI do Estado.

*Bom fim de semana.