DF cria endereço digital para integrar 20 mil propriedades rurais aos aplicativos de navegação

Cerca de 20 mil propriedades rurais do Distrito Federal deverão passar a existir oficialmente nos principais aplicativos de navegação utilizados pela população. Essa é a meta do Programa de Endereçamento Rural Digital, lançado pelo Governo do Distrito Federal, que permitirá a localização de chácaras, fazendas e demais imóveis rurais por plataformas como Google Maps, Waze e Bing Maps. A iniciativa busca solucionar uma dificuldade histórica enfrentada por moradores e produtores do campo: a ausência de endereços formais capazes de facilitar atendimentos de emergência, entregas, transporte de mercadorias e acesso a serviços públicos.

O projeto tem origem na Lei nº 7.702/2025, derivada de proposta apresentada pela deputada distrital Doutora Jane (Republicanos-DF), e estabelece um modelo de identificação digital para imóveis rurais. A expectativa do governo é integrar aproximadamente 20 mil propriedades ao sistema de geolocalização até o fim de 2026.

A solução utiliza a tecnologia conhecida como “Plus Codes”, desenvolvida para identificar locais que não possuem endereço formal. Cada propriedade recebe um código exclusivo associado às suas coordenadas geográficas, criando uma referência digital que pode ser compartilhada com órgãos públicos, empresas, fornecedores, prestadores de serviços e clientes.

Um dos principais objetivos da iniciativa é melhorar o atendimento em situações de emergência. Atualmente, equipes de resgate e socorro frequentemente enfrentam dificuldades para localizar propriedades rurais, especialmente em casos que exigem resposta rápida. Com a adoção do endereço digital, órgãos como Samu, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Defesa Civil passam a contar com informações georreferenciadas capazes de reduzir o tempo gasto na localização dos imóveis.

Além da área de segurança e emergência, o programa busca ampliar a integração do meio rural com serviços logísticos e plataformas digitais. A identificação precisa das propriedades tende a facilitar entregas, recebimento de insumos, transporte de mercadorias e operações comerciais realizadas pela internet, criando condições para ampliar a participação dos produtores rurais em mercados digitais.

A medida também deverá fornecer ao governo uma base de informações mais detalhada sobre a ocupação das áreas rurais. O mapeamento georreferenciado poderá auxiliar no planejamento de políticas públicas voltadas à infraestrutura, especialmente na manutenção e recuperação da malha viária utilizada para o escoamento da produção agrícola.

Para a deputada Doutora Jane, autora da proposta que originou a legislação, a iniciativa busca reduzir uma desigualdade histórica enfrentada pelas comunidades rurais. A ausência de um endereço oficial dificulta o acesso a serviços públicos, operações comerciais e atendimentos emergenciais, problema que a nova política pretende minimizar por meio da tecnologia.

Segundo informações do GDF, o projeto começou a ser estruturado em 2024, quando foram registrados pouco mais de 4,7 mil pontos georreferenciados. No ano seguinte, o número de propriedades cadastradas ultrapassou 6,3 mil. A nova etapa amplia significativamente a abrangência da iniciativa, com a meta de integrar cerca de 20 mil imóveis rurais aos principais sistemas de navegação até o próximo ano.

O investimento previsto para a implantação do programa é de aproximadamente R$ 375,7 mil. A execução ficará a cargo da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal e com o Instituto de Economia Agrícola de São Paulo. Os produtores cadastrados não terão custos para aderir ao sistema. O governo também prevê ações de orientação e suporte técnico por meio da Secretaria de Agricultura e da Emater-DF para auxiliar na utilização da ferramenta.

Com a implementação do programa, o Distrito Federal passa a incorporar ferramentas de georreferenciamento à gestão do território rural, numa tentativa de aproximar produtores e moradores do campo dos serviços digitais já disponíveis nos centros urbanos e de criar uma base de localização mais precisa para ações públicas e privadas.

*Imagem – Divulgação/Seagri-DF.