Conectividade nas escolas salta a 71,7% e alcança 24 milhões de alunos, diz MEC

A política de conectividade nas escolas públicas brasileiras ganhou escala e passou a ser tratada como um eixo estruturante da transformação digital da educação. Segundo a coordenadora-geral de Tecnologia da Informação do Ministério da Educação, Marina Kovács, entre 2023 a 2025 o país saiu de 45% para 71,7% de escolas conectadas, alcançando cerca de 99 mil unidades de ensino. O avanço impacta diretamente 24 milhões de estudantes e está ancorado em investimentos que somam R$ 3 bilhões desde o início do governo Lula através da EACE – Entidade Administradora da Conectividade de Escolas, criada para gerir os recursos do Leilão das frequências do 5G destinadas à Educação.

“A gente tem números dos quais se orgulha, mas ainda está correndo para melhorar ainda mais”, afirmou Marina Kovács ao apresentar o balanço das ações. O crescimento, segundo ela, não ocorreu de forma homogênea, mas foi direcionado para reduzir desigualdades históricas de infraestrutura. Na região Norte, por exemplo, o índice de conectividade saltou de 23,6% para 62,5%. Em áreas mais críticas, como a ilha de Marajó, a cobertura passou de 3% para 66,8%.

A estratégia está vinculada à Política de Inovação Educação Conectada, que integra um conjunto mais amplo de iniciativas federais voltadas à digitalização do ensino. De acordo com a coordenadora, o foco deixou de ser apenas levar internet às escolas e passou a considerar critérios mínimos de qualidade. “Não basta ter alguma internet. É preciso garantir que ela funcione para o uso pedagógico”, disse.

Esses parâmetros incluem três condições essenciais: fornecimento adequado de energia elétrica, velocidade de conexão dimensionada ao número de alunos e cobertura de Wi Fi em todos os espaços pedagógicos. O objetivo é evitar situações recorrentes em que a internet existe, mas fica restrita a áreas administrativas, sem impacto direto na sala de aula.

A política também incorpora um componente pedagógico que, segundo o MEC, é decisivo para transformar conectividade em aprendizagem. “A tecnologia só vira aprendizagem quando existe intencionalidade pedagógica, quando está no currículo e quando os professores estão preparados”, afirmou Marina Kovács.

Nesse contexto, o ministério avança na implementação da BNCC Computação (documento complementar à Base Nacional Comum Curricular) e das diretrizes do Conselho Nacional de Educação para atualização, iniciativa que busca inserir competências digitais de forma estruturada no ensino básico, acompanhada de programas de formação docente.

O MEC também lançou uma série de guias para apoiar redes de ensino, escolas e famílias. Entre eles, materiais sobre uso consciente de celulares com foco em restrição e não proibição eplanejamento de adoção de tecnologias, atualização curricular e formação de professores em competências digitais.

Mais recentemente, a pasta publicou um guia específico sobre o uso de inteligência artificial na educação. O documento orienta redes de ensino sobre como incorporar a tecnologia de forma segura e pedagógica. “É uma tecnologia que já nos atravessa e precisa ser usada com critério”, afirmou a coordenadora.

Além da produção de materiais, o ministério tem atuado diretamente com estados e municípios, oferecendo assessoria para diagnóstico de infraestrutura e planejamento da transformação digital nas redes de ensino.

A combinação entre expansão da conectividade, definição de parâmetros técnicos e investimento em formação indica uma tentativa de estruturar uma política pública mais consistente para o uso de tecnologia na educação. O desafio, segundo a própria área técnica do MEC, será garantir continuidade dos investimentos e medir o impacto efetivo dessas ações sobre a aprendizagem dos alunos.

As informações sobre o crescimento do programa apresentadas por Marina Kovács ocorreram durante a tranamsissão ontem (27) no YouTube, do webinário para orientar redes estaduais e municipais sobre o monitoramento da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec) e as etapas do ciclo 2026 da Política de Inovação Educação Conectada (Piec).