
A construção de um novo projeto de desenvolvimento nacional baseado na transformação digital exige que o Brasil enfrente de forma direta sua histórica dependência tecnológica e passe a disputar espaço no cenário internacional em condições mais equilibradas, afirmou a coordenadora do CGI.br e Assessora Especial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Renata Mielli, ao participar da abertura do seminário Futuro do Digital: Construindo uma estratégia para o Brasil, realizado no Auditório da Anatel, em Brasília. Segundo ela, “o domínio das tecnologias digitais é hoje um dos principais pontos de tensão política e econômica no mundo”, o que torna inevitável ao país reposicionar sua estratégia para deixar de ser apenas consumidor e avançar como produtor de tecnologia.
Na avaliação de Mielli, a transformação digital deve ser entendida como eixo estruturante de um projeto nacional que permita ao Brasil “se colocar no cenário internacional de forma altiva”, ainda que sem romper completamente com cadeias globais de dependência que seguem sendo estruturais. Esse movimento, no entanto, passa por um esforço amplo que envolve desde a produção de semicondutores até o desenvolvimento de software e aplicações alinhadas às necessidades sociais e econômicas do país. Ela destacou como exemplo a retomada da Ceitec, estatal de semicondutores, como um passo simbólico e estratégico para iniciar a reconstrução de capacidades industriais no setor.
A dirigente também chamou atenção para a necessidade de políticas públicas que considerem as desigualdades regionais e fortaleçam o setor produtivo nacional, ampliando o valor agregado da indústria brasileira como um todo. “Não estamos falando apenas da indústria diretamente ligada ao digital, mas de toda a indústria nacional que precisa se transformar”, afirmou, ao destacar que a transformação digital integra os eixos da política de neoindustrialização conduzida pelo governo federal.
Dentro desse esforço, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação aposta no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial como um dos pilares dessa estratégia, com previsão de investimentos de R$ 23 bilhões distribuídos em cinco eixos, incluindo capacitação, infraestrutura, regulação e estímulo à produção tecnológica. Mielli adiantou ainda que o governo deve anunciar, em breve, a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica, iniciativa voltada a ampliar a governança e o controle sobre sistemas baseados em inteligência artificial.
Ao final, a coordenadora do CGI.br ressaltou que o desafio brasileiro é simultaneamente estrutural e urgente, exigindo definição clara de prioridades e coordenação entre diferentes áreas do Estado. “Nós precisamos nos colocar internacionalmente de igual para igual com outras potências”, disse, ao defender que o debate promovido pelo seminário contribua para a formulação de políticas públicas capazes de elevar o país a “outro patamar” na transformação digital.







