Líderes e Inteligência Artificial: hora de levar os dados a sério

Por Paulo de Godoy* – No cenário empresarial, a IA deixou de ser curiosidade e se tornou agora uma prioridade. Em diversas regiões, incluindo o Brasil, observamos que o tom da conversa entre as lideranças está mudando. A questão não é mais: “Podemos fazer algo com IA?”, mas sim: “A IA está nos entregando resultados?”. As expectativas estão mais aguçadas, então é o momento de avaliar qual o retorno, quais potenciais podemos desbloquear e quais problemas estamos de fato solucionando com esta tecnologia.

Mas há um ponto cego em muitas dessas conversas. Enquanto as empresas se apressam para adotar ferramentas de IA e aumentar o poder computacional, poucas dedicam tempo suficiente para ajustar o que realmente importa: os dados que alimentam esses sistemas.

A verdade é que dados desorganizados significam uma IA desorganizada. Se a sua empresa tem cinco versões circulando do mesmo conjunto de dados, em diferentes departamentos, e ninguém tem certeza de qual é a mais precisa ou atualizada, a empresa não ganha inteligência, ganha ruído. E em setores como finanças, saúde ou governo, esse ruído pode levar a decisões perigosas. Aplicar mais computação ao problema não ajuda e ainda pode nos levar mais rápido a respostas erradas.

Para acertar na IA, precisamos fazer o trabalho árduo e sem glamour, ou seja, limpar os dados, padronizá-los e garantir que todos trabalhem com a mesma versão da verdade. Isso significa quebrar silos, estabelecer regras claras sobre como os dados são tratados e investir nos sistemas certos para rastreá-los e gerenciá-los.

Esta não é uma tarefa pontual, é uma transformação na mentalidade. Afinal, dados limpos levam a modelos melhores, modelos melhores ajudam a tomar decisões mais inteligentes e essas decisões geram dados ainda mais úteis. Mas essa engrenagem só funciona se a informação for sólida.

Também precisamos levar a sério a responsabilidade pelos dados. Isso significa saber de onde seus dados vieram, como foram alterados e quem tem acesso a eles. Sem essa transparência, não podemos construir sistemas confiáveis, e isso vale também para as reguladoras, clientes e o público em geral.

Este é o momento para refletir a necessidade de mudar o foco para o alicerce. Porque o verdadeiro progresso não vem da adoção da ferramenta mais recente, mas da construção da infraestrutura, mentalidade e cultura certas para apoiá-la.

*Paulo de Godoy, country manager da Pure Storage.