Software brasileiro cresceu 18,5% ano passado e mantém a 10ª posição no ranking mundial

O mercado brasileiro de tecnologia da informação avançou 18,5%, superando com folga a média global de 14,1%. O desempenho foi acima das expectativas impulsionado principalmente pela corrida global por infraestrutura de inteligência artificial. “Foi uma surpresa positiva. O crescimento veio muito acima do esperado tanto aqui quanto globalmente”, destacou Jorge Sukarie – conselheiro da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) e coordenador do estudo “Mercado Brasileiro de Software”. Segundo ele, o desempenho surpreendeu inclusive as projeções iniciais, que indicavam expansão inferior a 10% no Brasil e abaixo de 9% no mundo.

No levantamento, os investimentos globais em software, hardware e serviços alcançaram US$ 4,2 trilhões em 2025, um salto relevante frente aos US$ 3,7 trilhões registrados em 2024. Nesse cenário, o Brasil manteve a décima posição no ranking mundial, com US$ 68 bilhões em investimentos, consolidando a recuperação observada nos anos anteriores. “O Brasil permanece entre os dez maiores mercados do mundo e está muito próximo de ultrapassar a Austrália, podendo assumir a nona posição a qualquer momento”, afirmou Sukarie.

O ranking global segue liderado pelos Estados Unidos, responsáveis por mais de 36% dos investimentos totais, seguidos por China, Reino Unido, Japão, Alemanha, França, Índia, Canadá e Austrália. A proximidade do Brasil com este último grupo reforça, segundo o executivo, o potencial de ascensão do país no curto prazo.

A análise mais detalhada dos segmentos mostra que software e serviços de TI mantiveram trajetórias consistentes. O software segue com taxas superiores a 20% ao ano, enquanto os serviços crescem na faixa de 10% a 12%. O principal ponto fora da curva, no entanto, foi o hardware.
Após anos de crescimento tímido, geralmente abaixo de 5%, o segmento de hardware registrou uma expansão de 20% em 2025.

Para Sukarie, o movimento está diretamente ligado ao avanço da inteligência artificial e à necessidade de infraestrutura para suportar essa nova onda tecnológica. “Houve um avanço muito forte nos investimentos em hardware, especialmente na construção de data centers e na aquisição de equipamentos para suportar aplicações de IA”, explicou.

A tendência, corroborada por análises de mercado como as do IDC, indica que a inteligência artificial tornou-se o principal vetor de investimentos em tecnologia da informação, reconfigurando não apenas a demanda por software, mas também por capacidade computacional e infraestrutura física.
Na prática, os dados revelam uma mudança estrutural no mercado: a expansão da IA não apenas impulsiona serviços e aplicações, mas também reaquece a base industrial do setor, com impactos diretos na cadeia de hardware e na construção de data centers.