Fundador da SaferNet se exila na Alemanha

Em Nota Oficial, o fundador da SaferNet, Thiago Tavarez, alega estar sendo perseguido e correndo “risco” por conta das declarações que vem prestando em eventos públicos sobre a formação do discurso de ódio e Fake News na Internet. Segundo ele, até agora os ataques e ameaças se restringiam à rede de computadores, mas recentemente um funcionário sofreu sequestro e teve seu laptop infectado com malware Pegasus, que segundo a nota oficial vem sendo “utilizado ilegalmente para perseguir jornalistas e defensores de direitos humanos em diversos países do mundo, inclusive no Brasil”.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA OFICIAL

O fundador e presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares, cumprindo os protocolos e políticas de segurança da instituição, comunica sua decisão em auto exilar-se em Berlim, Alemanha, onde chegou em segurança por volta das 16:30 (hora local) do último sábado, 04 de dezembro, em voo da TAP que decolou de Salvador/BA na noite de sexta-feira, 03/12, após fazer uma rápida escala em Lisboa/Portugal.

O auto-exílio ou exílio voluntário é medida extrema – e jamais aplicada desde a fundação da instituição em 2005 – quando a segurança pessoal de funcionário, colaborador ou diretor da SaferNet Brasil encontra-se em grave e iminente risco. É justamente o que ocorre.

Desde 26 de Outubro de 2021, quando participou da mesa “Como se estruturam as campanhas de ódio e desinformação” durante o II Seminário Internacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Thiago Tavares tem recebido seguidas ameaças, inclusive de morte, em razão de sua atuação profissional e acadêmica no Brasil.

Essas ameaças, até então restritas ao meio eletrônico/digital, ganharam outra dimensão na noite do dia 22 de novembro de 2021, quando um outro funcionário da SaferNet Brasil sofreu um sequestro relâmpago, em Salvador/BA, por 4 criminosos armados que o abordaram e, com violência e grave ameaça, inclusive de teor LGBTFóbico, roubaram o celular e laptop funcionais. Thiago Tavares estava a apenas 800 metros do local onde aconteceu a abordagem.

Na noite de quinta-feira, 02 de dezembro, a SaferNet Brasil coletou evidências de comprometimento do laptop funcional MacBook Pro de Thiago Tavares pelo malware Pegasus, que vem sendo utilizado ilegalmente para perseguir jornalistas e defensores de direitos humanos em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. O relatório técnico, com 28 páginas, foi compartilhado com a Apple, Adobe e o CERT.br.

Na tarde da mesma quinta-feira, 02 de dezembro, uma familiar de Thiago Tavares sofreu traumatismo cranioencefálico ao desembarcar de um Uber em Salvador/BA, precisando ser internada em UTI.

A proximidade dos fatos, somado às ameaças que já vinha recebendo, não deixou alternativa a Thiago Tavares a não ser deixar o país, temporariamente, até que as circunstâncias dos fatos sejam totalmente esclarecidas e sejam restabelecidas as condições de segurança pessoal para o desempenho de suas atividades profissionais e acadêmicas no Brasil, seja como defensor dos direitos humanos, seja como especialista em tecnologia.

Thiago Tavares tem uma carreira profissional e acadêmica de 20 anos amplamente reconhecida no Brasil e no exterior. No país já exerceu funções não remuneradas consideradas oficialmente como de grande interesse público: conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (2014 a 2020), membro do Conselho de Administração do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (NIC.br), entre 2017 a abril de 2021, membro titular do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições do Tribunal Superior Eleitoral (2017/2018), dentre outros.

O exílio voluntário ou autoexílio é um direito fundamental reconhecido internacionalmente e garantido a alguns indivíduos que, sentindo-se ameaçados ou vítimas de perseguição política, racial ou religiosa, podem buscar exílio por iniciativa própria em outros países. No Brasil alguns casos conhecidos de autoexílio são de artistas e intelectuais como Chico Buarque de Holanda, que passou mais de um ano na França e na Itália, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que auto exilou-se no Chile e na França durante o regime militar.

*https://capitaldigital.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nota-oficial-1.pdf