
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, abriu nesta quinta-feira o seminário “Futuro do Digital: Construindo uma estratégia para o Brasil” com um discurso que posiciona a agenda digital no centro das decisões estruturais do país. Segundo ela, o encontro marca um momento de inflexão, no qual o Brasil será chamado a fazer escolhas que vão muito além da tecnologia, alcançando as bases econômicas, institucionais e de soberania nacional.
“O digital não é mais um setor entre outros, na verdade ele passou a ser o alicerce de toda a economia, e mais do que isso, de toda a sociedade”, afirmou a ministra, ao destacar que o país enfrenta uma “mudança de paradigma” em que a tecnologia deixa de ser apenas ferramenta e passa a ser “a própria infraestrutura de cidadania e de toda a discussão de soberania” .
Dweck ressaltou que o governo brasileiro já dispõe de ativos relevantes nessa transformação, com destaque para a plataforma Gov.br, tratada como uma das principais infraestruturas públicas digitais do país. “Hoje temos mais de 175 milhões de contas únicas, com um avanço significativo nos níveis mais altos de autenticação, e um volume que já ultrapassa um bilhão de acessos apenas nos primeiros meses do ano”, disse . Segundo ela, o sistema brasileiro tem chamado atenção internacional, inclusive em países desenvolvidos, por sua capacidade de integrar serviços federais, estaduais e municipais em uma mesma arquitetura.
A ministra também enfatizou o avanço na construção de uma identidade digital nacional integrada à nova carteira de identidade e vinculada à oferta de serviços personalizados. “O nosso objetivo é construir um governo que conheça melhor a sua população e consiga atender suas necessidades de forma mais precisa, sempre com respeito à proteção de dados e à privacidade”, afirmou .
No campo da governança de dados, Dweck destacou que o país vem estruturando uma base nacional capaz de sustentar políticas públicas e o desenvolvimento da inteligência artificial. “Para ter inteligência artificial, a gente precisa ter dados, os nossos dados, e capacidade de usá-los com soberania”, disse, reforçando que o Brasil busca desenvolver soluções tecnológicas com maior autonomia e controle sobre suas próprias bases informacionais .
A ministra citou ainda o desempenho do país em rankings internacionais de dados abertos, onde o Brasil alcançou recentemente a oitava posição entre 41 países, à frente de economias como Reino Unido e Canadá. Para ela, esse reconhecimento reforça um modelo de governança digital orientado ao interesse público.
Outro ponto central do discurso foi a incorporação do conceito de infraestrutura pública digital, consolidado no âmbito do G20. Segundo Dweck, o Brasil já opera com esse modelo em diversas frentes, como o PIX, o Cadastro Único e sistemas estruturantes em modernização, a exemplo do Cadastro Ambiental Rural. “Percebemos que o Brasil já tinha essa lógica antes mesmo da formalização do conceito, com plataformas que funcionam como bens públicos digitais”, afirmou .
Ao final, a ministra reforçou que o seminário tem caráter estratégico e deverá orientar decisões para os próximos anos, incluindo prioridades de investimento, regulação e atuação direta do Estado. “Essa estratégia trata de soberania, competitividade, justiça social e sustentabilidade. É, acima de tudo, um projeto de desenvolvimento para o país”, concluiu, convocando os participantes a contribuírem com propostas que moldarão o futuro digital brasileiro.







