Diretor do Serpro, indicado pelo PT, defende abertura do capital da estatal

Definitivamente o PT não precisa de inimigos. Ele mesmo é capaz de implodir o seu projeto político, sem a necessidade de algum bolsonarista de plantão. A mais nova do partido ocorreu nesta quinta-feira (09), na Regional do Serpro do Rio Grande do Sul. Ao falar para os funcionários e na presença da presidente do Sindpd-RS, Vera Guasso, o diretor de Administração e Finanças (DIRAF), Osmar Quirino da Silva, disse que a empresa deverá crescer muito nos próximos anos e o ideal seria abrir o capital para a iniciativa privada.

Mas não bastou essa polêmica declaração na frente de funcionários e sindicalistas. Quirino disse ainda, que a abertura do capital somente não ocorre hoje, porque o presidente do Serpro, Wilton Mota, não aceita essa estratégia. Em tempo: Mota – que é funcionário da empresa há 40 anos – foi indicado para a presidência da estatal pelo Centrão dos senadores Davi Alcolumbre (União-AP) e professora Dorinha (União-TO).

Não é a primeira vez que Osmar Quirino joga água fora da bacia e contraria o PT. A primeira tropeçada foi durante uma reunião da administração do Serpro, ano passado, na qual ele votou à favor da demissão de centenas de funcionários acima dos 60 anos de idade. Bandeira de luta do ex-presidente do Serpro, Alexandre Amorim, que acabou não se concretizando após muita pressão política e sindical.

Osmar Quirino da Silva, entrou para a estatal com o apoio do PT do Distrito Federal e as bençãos de Romênio Pereira (foto), fundador do PT e atual membro da Executiva Nacional do partido. Em Brasília o movimento também contou com o apoio do ex-deputado Geraldo Magela – irmão de Romênio. Mas ele recolheu a bandeira, assim que tomou conhecimento de que estava apoiando um diretor que era à favor da demissão em massa dos “velhinhos” da empresa.

O estrago político no PT-DF provocou rachas na legenda e até familiar. Os irmãos Magela (foto) e Romênio estão sem se falar depois do episódio. Mas em nenhum momento isso abalou a posição do diretor na estatal. Ao contrário, Quirino continua firme e forte no cargo, confortável até para falar sobre privatização da estatal e afirmar que isso somente não ocorre, porque o presidente da empresa não quer.

Não é à toa que no Distrito Federal o Partido dos Trabalhadores não existe para o eleitorado local. Tanto que nas eleições deste ano o bolsonarismo deverá fazer não somente o Governo do DF, mas também as duas vagas em disputa para o Senado Federal, com a deputada Bia Kicis e a ex-primeira dama, Michele Bolsonaro, ambas do PL-DF.