
O Serpro ainda não definiu se é uma empresa transparente ou não, apesar do funcionário Wilton Motta ter assumido a presidência da estatal prometendo mudanças em determinados comportamentos. Custou, por exemplo, a franquear ao contribuinte o direito de acompanhar as agendas de atividades diárias da diretoria. Mas, mesmo assim, ainda mascara a informação e omite as informações das atividades do principal diretor que faz parcerias com empresas privadas, muitas delas questionáveis: André Agatte – diretor de Novos Negócios e Inteligência de TI (gravata grená do lado esquerdo da foto, próximo do presidente Lula).

Desde o ano passado a empresa vinha impedindo o acesso de qualquer internauta saber das atividades dos diretores. Na página das informações institucionais do Serpro, a agenda da diretoria continua sendo mantida com um cadeado, indicando que era área restrita e só pode ter acesso à rede interna do Serpro quem tiver senha concedida pela estatal, ou seja: somente os funcionários.
Depois de inúmeras denúncias do blog, o Serpro decidiu abrir a agenda, mas mantém ainda algumas “pegadinhas”. Por exemplo, se o internauta entra na pagina institucional da empresa, a agenda continua mantendo um cadeado, o que induz ao navegante a achar que nem adianta tentar, pois trata-se ainda de área restrita. Só que já não é, embora o cadeado faça o navegante acreditar que sim.
A segunda “pegadinha” vem ao acessar a agenda. Todos os dias as atividades da diretoria vêm com a informação “Atualmente não existem compromissos agendados”. Ninguém fica sabendo diariamente o que fazem os diretores, se olharem para a página principal.
Por exemplo, no dia 13 de janeiro a página principal da agenda do presidente Wilton Motta informava não haver compromissos para ele naquele dia. Só que nesta mesmo dia, Wilton recepcionou nas dependências do Serpro toda a alta cúpula do governo, incluindo o presidente Lula. E ainda concedeu uma entrevista exclusiva para a TV Record.
Foi nesta data que o Serpro lançou a plataforma da Reforma Tributária com a inédita presença de um presidente da República e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, nos seus 60 anos de história. Além da participação dos ministros da Fazenda, Planejamento, Casa Civil, Relações Institucionais, Gestão, Trabalho e Emprego. Ainda contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Mota, que também prestigiou o lançamento da plataforma. Um detalhe: eventos que contam com a presença do presidente normalmente são realizados no Palácio do Planalto e não nas dependências de uma empresa estatal ou ministérios.
Só foi possivel descobrir a agenda de Wilton ao clicar no link “Acesse a Agenda Completa”. Aí, sim, o internauta pode navegar e saber do evento, assim como conhecer as atividades do presidente durante todos os meses do ano. Cada dia do calendário com as atividades realizadas só estão acessíveis nesta condição. Na página principal da agenda do dia apenas é informado que não houve nenhuma atividade.
Mesmo que consigam ultrapassar as “pegadinhas” impostas pela empresa, o internauta continuará não sabendo o que andou fazendo ao longo do mês, por exemplo, o diretor de “Novos Negócios e Inteligência de TI”, André Picoli Aggate.
O diretor só vem mantendo público a agenda do dia, retirando por completo o calendário das suas atividades. O que significa que ele impede que se faça uma pesquisa e tenha acesso às atividades daquilo que ele participou nos dias anteriores ou ao longo de cada mês. Isso obrigará a quem quiser acompanhar Agatte, a não se esquecer de entrar todos os dias em sua página. Caso contrário, o que ele fez na data anterior ou no mês ninguém saberá.
Remanescente da equipe do ex-presidente, Alexandre Amorim, ele é o responsável pelas principais “parcerias” e contratações de empresas privadas que estão trabalhando com o Serpro – muitas delas sequer passaram por licitação. O diretor André Agatte pode até alegar que realizou “chamamentos públicos”, conforme determina a Lei das Estatais, mas a realidade mostra que alguns dos certames foram jogos de cartas marcadas.
Este blog já denunciou casos em que empresas ( apenas as de interesse da diretoria) tiveram uma série de reuniões prévias com a cúpula da estatal para tratar de assuntos que iam desde a formação do edital, até o processo da sua escolha pela área de compras. E essas denúncias foram inclusive comprovadas com base nas agendas dos diretores, que o blog somente teve acesso por meio de fontes. Já que na página da estatal essas informações estavam bloqueadas.
Tudo indica que a empresa ainda está resistindo à condição de transparência que é imposta por legislação ao governo federal e continua buscando desvios de conduta para censurar informações que deveriam ser de domínio público. O que será que continua obrigando a empresa e este diretor, esconderem as suas atividades para a opinião pública?










