Aviso aos navegantes

Este blog não pretende entrar com informações sobre o suposto envolvimento da Dataprev ou diretores, no escândalo do INSS. Por algumas razões:

A principal delas é que, do alto da experiência de 40 anos de cobertura jornalística, não se participa de CPIs ou Investigações da PF se não estiver presente 24 horas todos os dias e nos sete dias da semana. Não tem essa de cobrir CPI por meio WhatsApp. Quem vos fala cobriu as CPIs dos Anões do Orçamento e do Collor/PC, dando expediente na porta das fontes todos os dias, na época em nome da CBN.

1 – Até agora não apareceu nenhuma prova contundente, irrefutável, de que a estatal tenha participado ativamente do esquema de corrupção iniciado, sim, no INSS do Governo Bolsonaro, mas também continuado no INSS do Governo Lula.

2 – A empresa nas raras intervenções que fez na imprensa, deixou claro que tem todos os registros e informações a apresentar para contribuir com as investigações desse escândalo. Seja na CPI que virou campo de batalha do “sujo contra o mal lavado”, seja na investigação em curso na Polícia Federal.

Quando e se ocorrer algum evento que justifique a presença do blog, e que este seja baseado em farta documentação probatória, estarei publicando a informação. Por exemplo, se houver a audiência do presidente da Dataprev na CPMI do INSS, este blog fará a cobertura e dará o resultado de acordo com o que ocorrer na sessão.

Mas esse blog se reserva no direito de não fazer cobertura de CPI por meio de coluna do Metrópoles ou com base em informações vindas de “fontes” de qualquer outro veículo de imprensa, que nunca tenham conversado diretamente comigo. Hoje, por exemplo, houve “busca e apreensão” na casa de um diretor da Dataprev, citado nominalmente e rotulado como “funcionário do INSS que trabalha na estatal como diretor desde o Governo Bolsonaro”.

Ou seja, na leitura política, o diretor está sendo apontado como um “bolsonarista”, que participou do esquema, por ter recebido o “Careca do INSS” em audiências na estatal, devidamente registradas e até informadas pela empresa. Reuniões numa época em que o sujeito ainda não era apontado como o chefe da máfia do INSS.

Bom para começar a conversa, o diretor (me recuso a citá-lo nominalmente, mas ele teve seu nome estampado em inúmeros veículos de imprensa) está atuando na cúpula da Dataprev desde 2020. Mas a sua presença na estatal, direta ou indiretamente, vem desde 2010 (por volta de), quando ele participava das equipes que trabalhavam pelo INSS e a estatal na integração dos sistemas previdenciários.

Refazendo a leitura política, então o suposto “diretor bolsonarista”, que está há uns 23 anos no INSS (consta que entrou para o órgão em 2003) passou de 2010 para cá trabalhando numa Dataprev que foi “Lulista”; “Dilmista”; depois virou “Temerista”; depois passou a ser “Bolsonarista” e agora voltou a ser “Lulista”. Afinal de contas, para qual dos “santos” reza o tal diretor?

Hoje além dessa informação da PF, foi dito também que o ministro terrivelmente evangélico do STF afastou o tal diretor de suas funções, para evitar riscos de contaminação das provas dentro da Dataprev.

Parem para pensar, o tal diretor está no cargo desde 2020, supostamente envolvido até a raíz do cabelo num escândalo de descontos indevidos no INSS que começou a partir de 2019. E que entre 2022 a 2024 chegou a movimentar cerca de R$ 6,3 bilhões. Mas somente agora lembraram de “afastar” o tal diretor das suas funções, para evitar que ele contamine ou até apague eventuais provas? Caspita!

E qual foi o resultado da tal “busca e apresensão” na casa dele? Algum documento comprometedor? Algo incriminador? Consta que ele nem estava em Brasília – trabalhava hoje em São Paulo. E os resultados da “operação” não foram e nem serão divulgados?

Gente, este blog não morre de amores por nenhum diretor desta empresa. Ao contrário, teve sérios embates na gestão bolsonarista contra os mesmos que ainda estão por lá ocupando postos-chave na empresa. Em toda a cobertura este blog já apontou as trapalhadas deles na Dataprev. Mas tudo foi documentado.

Jamais este blog atacou ou apontou seja quem for dentro da estatal como sendo ladrão, corrupto ou o que for. Por uma razão simples: quem acusa, prova. E, neste caso, nunca obtive um só documento que comprovasse esse tipo de acusação. No Serpro, por muito menos e documentado até o osso, cheguei a ser processado por toda a diretoria da era Bolsonaro. Perderam.

Na Dataprev, nem isso.

A regra é essa: este blog pode até não saber direito o motivo de estar batendo, mas com certeza quem está tomando um tranco dele sabe exatamente porque está apanhando.

Não adianta vir me cobrar cobertura porca de um escândalo desse tamanho porque não pretendo fazer. Me reservo ao fim de toda a confusão informar se era verdade ou não tudo o que vem sendo dito de forma seletiva, por fontes seletivas em seletivos veículos de imprensa.

*Se não gostarem, leiam a Revista Caras.