IBGE aposta em soberania digital e software livre no Plano de Trabalho 2026

A defesa da soberania na gestão das bases de dados, o uso de plataformas de softwares livres e a criação de ambientes de cooperação com gestores públicos integram os principais eixos da área de tecnologia da informação do Plano de Trabalho 2026 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentado nesta quarta-feira (22), em Curitiba, na Superintendência Estadual do instituto.

O encontro faz parte de uma série de cinco eventos regionais destinados a detalhar as diretrizes do plano para o próximo ano. As apresentações começaram em São Francisco do Conde (BA), passaram por Brasília (DF) e seguem para Belo Horizonte (MG), com foco nos projetos da Diretoria de Pesquisas, antes do encerramento em Macapá (AP), onde serão discutidas as ações da Diretoria de Geociências.

Segundo o diretor de Tecnologia da Informação do IBGE, Marcos Mazoni, além de sustentar a infraestrutura que dá suporte às cerca de 340 pesquisas realizadas anualmente pelo instituto, a área de TI passa a concentrar esforços na construção de estruturas e parcerias capazes de garantir a soberania das informações e dos sistemas. “Hoje o IBGE tem uma estrutura tecnológica própria que chegou a um certo esgotamento em sua capacidade de atendimento diante do crescimento das demandas. E, evidentemente, a introdução de novas tecnologias deve ser pensada nesse processo”, afirmou.

A primeira iniciativa concreta já está em andamento, com a adoção da nuvem soberana do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para o armazenamento de dados, com replicação em um fornecedor que utiliza bancos de dados abertos e não está sob controle de outros países. De acordo com Mazoni, a opção reforça a estratégia de reduzir a dependência de grandes provedores internacionais. “O contrato com o Serpro tem por objetivo suprir nossas carências, mas não se apoiando nos fornecedores tradicionais, e sim na própria estrutura do Estado brasileiro, o que nos permitirá continuidade nos aspectos técnicos e financeiros”, explicou.

Outro eixo do plano envolve a migração dos circuitos internos de comunicação de dados para a rede de transmissão de longa distância da Telebras. A medida prevê que os dados protegidos do IBGE passem a trafegar pela infraestrutura de uma empresa pública, com ganhos de segurança e desempenho. “A comunicação dos dados protegidos do IBGE estará na nuvem da Telebras, dentro dos sistemas de comunicação e de proteção de uma empresa pública. Isso diminui o tráfico malicioso e dará mais velocidade aos nossos circuitos”, disse Mazoni, acrescentando que o processo começou com a assinatura do contrato e deve ser concluído até o fim de fevereiro.

O plano também aposta na criação de ambientes de cooperação com gestores públicos, baseados em plataformas de software livre, para ampliar o uso dos dados do IBGE na formulação de políticas públicas. A proposta busca enfrentar desigualdades regionais na capacidade de análise e gestão de informações. “Há desigualdades entre os estados na capacidade de geração e de gestão de políticas públicas no Brasil. Muitas vezes, as novas informações estão colocadas no ambiente, mas eles não têm a capacidade do uso dessas informações. Por isso, teremos que criar ferramentas, na lógica da informação aberta, que possam ser replicadas e reutilizadas, com código livre e replicável”, afirmou o diretor de TI.

Durante a apresentação, Mazoni também destacou a ampliação do acesso a bases de dados de outros órgãos e ministérios, permitindo ao IBGE aprimorar seus processos de pesquisa e checagem por meio do cruzamento de informações.

Em apoio às diretrizes da Diretoria de Tecnologia da Informação, o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, ressaltou que a lógica de grandes investimentos concentrados apenas em períodos censitários deixou de ser viável. Segundo ele, as estruturas tecnológicas exigem atenção permanente. Pochmann também chamou atenção para o fato de que cerca de 80% das empresas que processam dados no país estão sediadas no exterior e defendeu que os dados do IBGE permaneçam sob a guarda de empresas nacionais e públicas, como parte de uma estratégia mais ampla de soberania digital.

*Com informações da Imprensa do IBGE. Foto: Fernanda Greppe.