
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, colocou a rede privativa de comunicações no centro da estratégia do governo federal para a Telebras e para a política de segurança pública digital do país. Em entrevista, o ministro deixou claro que o projeto é tratado como infraestrutura crítica de Estado e avança como um dos principais vetores de transformação da Telebras, tanto do ponto de vista operacional quanto financeiro.
Segundo Frederico, a implantação da rede privativa já entrou em fase concreta, com 6.500 pontos em processo de construção, todos vinculados à primeira etapa do projeto. O foco imediato, afirmou, é garantir a plena viabilização desses pontos antes de qualquer expansão adicional. “A nossa grande preocupação é garantir que esse projeto tenha sinergia com quem vai utilizar a prestação de serviço”, disse, ao explicar que a construção da rede está sendo feita em diálogo direto com os órgãos que dependerão dela no dia a dia.
O ministro destacou que a rede privativa móvel, discutida recentemente com o Ministério da Justiça, é um projeto distinto da rede privativa fixa, embora ambas sejam complementares. No caso da móvel, o objetivo é atender prioritariamente as forças de segurança pública, assegurando comunicações resilientes, protegidas e independentes das redes comerciais. Já a rede fixa abre a possibilidade de conectar postos policiais, estruturas da Polícia Rodoviária Federal e presídios de segurança máxima, com uso intensivo de criptografia e camadas adicionais de serviços voltadas à proteção tecnológica da transmissão de dados sensíveis.
“A gente está falando de criptografia e de garantir segurança tecnológica na transmissão dos dados”, afirmou o ministro, ressaltando que a rede não se limita ao transporte de informação, mas envolve um conjunto de serviços digitais capazes de elevar o padrão de segurança do Estado brasileiro. Segundo ele, a adesão do Ministério da Justiça à rede fixa é vista como um passo natural, justamente por se tratar de ambientes críticos e estratégicos.
Questionado sobre os custos da iniciativa, Frederico explicou que os valores finais ainda não estão fechados, pois envolvem uma combinação de investimentos em infraestrutura lógica, expansão da fibra óptica até a última milha e adequações internas na Telebras. Estimativas iniciais apontam cifras que podem chegar a R$ 1,2 bilhão, dentro do contexto mais amplo dos investimentos associados ao 5G. Ele reforçou que os recursos destinados à rede privativa têm origem em fontes específicas de financiamento público e estão vinculados a políticas estruturantes do setor.
O ministro indicou que a expansão do projeto, com a inclusão de novos usuários além dos 6.500 pontos já contratados, será tratada como uma segunda fase. Essa etapa poderá incorporar outras forças e órgãos, mas só será discutida após a consolidação da infraestrutura já prevista. “Primeiro, precisamos viabilizar os 6.500 pontos. Depois, ao longo do ano, essa discussão será feita”, afirmou.
Ao tratar do papel da Telebras nesse processo, Frederico de Siqueira Filho relacionou diretamente a rede privativa ao plano de transição financeira da estatal. Ele lembrou que a companhia registrou receita de R$ 330 milhões no terceiro trimestre, com crescimento de 16,5% em relação ao ano anterior, e que a expectativa é de desempenho ainda melhor no quarto trimestre. Para o ministro, projetos estruturantes como a rede privativa são fundamentais para ampliar receitas recorrentes, diversificar o portfólio e reduzir a dependência de recursos orçamentários. “É um processo de transição. A expectativa é que, em dois ou três anos, a Telebras se torne plenamente sustentável”, disse.
Na avaliação do ministro, a rede privativa também dialoga com outras agendas estratégicas do governo, como a definição de áreas de infraestrutura crítica, a implantação de data centers seguros e a proteção de fluxos de dados sensíveis do Estado. Ao integrar comunicações, segurança pública e soberania digital, o projeto passa a ocupar posição central na política de comunicações do país.
Frederico concluiu afirmando que a construção da rede privativa é um investimento de longo prazo, cujo retorno não se mede apenas em números financeiros, mas na capacidade do Estado brasileiro de garantir comunicações seguras, contínuas e sob controle nacional. “Não faz sentido realizar um investimento dessa magnitude sem garantir que ele cumpra seu propósito estratégico”, resumiu.







