Hermano Albuquerque assume Telebrás e defende conectividade como “quarto pilar” das políticas públicas

Hermano Albuquerque assumiu hoje (21) a presidência da Telebrás com um discurso menos protocolar e mais voltado a criar coesão interna. Sobretudo, para reposicionar a estatal como peça indispensável para levar serviços digitais a um Brasil que, segundo ele, costuma ficar fora do radar quando o debate se restringe às capitais. Diante de autoridades do setor, entre elas, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho e o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, e num um auditório cheio de empregados da companhia, o novo dirigente buscou combinar duas mensagens: a urgência de entregar o que já está contratado e a ambição de ampliar o papel da Telebrás para além da conectividade.

Logo no início, Hermano deixou claro que queria “começar pelo coração” e pediu apoio direto aos servidores. Ao reconhecer o tamanho da tarefa, afirmou que não há chance de êxito sem mobilização do quadro técnico: “Eu reconheço a imensa responsabilidade que eu agora assumo… e não conseguirei fazer sozinho se não tiver o apoio de todos vocês”. A ideia aparece como eixo do discurso: a missão é coletiva e o resultado depende menos de slogans e mais de execução com gente engajada.

Para justificar a centralidade da Telebrás, ele fez um argumento que mistura diagnóstico territorial e crítica ao olhar “metropolitano” das políticas públicas. Ao lembrar que o Brasil tem cerca de 6 mil municípios e que a maioria é de pequeno porte, Hermano sustentou que o país real está longe dos grandes centros: “A nossa conclusão é que o Brasil é feito por cidades pequenas”. A partir daí, construiu a tese de que não existe discussão séria sobre igualdade social, qualidade de vida e desenvolvimento econômico sem levar serviços de qualidade a essa população dispersa, muitas vezes em regiões onde o mercado não tem incentivos para chegar sozinho.

Nesse ponto, o novo presidente tentou elevar o debate: para ele, telecomunicações não são apenas um setor, mas infraestrutura de Estado. Hermano retomou a lógica clássica de “pilares” do governo (saúde, educação e segurança) e adicionou um quarto elemento, que chamou de igualmente estratégico. “Existe um quarto pilar… e eu digo para vocês que esse pilar é o pilar das telecomunicações”, disse, para emendar a frase que resume sua visão: “Não existe educação pública de qualidade sem telecomunicação. Não existe saúde pública de qualidade sem telecomunicação. Não existe segurança pública de qualidade sem telecomunicação”, destacou. A Telebrás, nesse desenho, aparece como instrumento para reduzir assimetrias que persistem justamente onde a conectividade é mais cara e a demanda é fragmentada.

Hermano também fez questão de diferenciar o papel da estatal do papel das empresas privadas. Sem antagonizar as operadoras que foram citadas como “parceiras”. Ele defendeu que a universalização não é um “dom” natural do mercado e, por isso, precisa de um agente com missão explícita. “A missão de universalizar os serviços de telecomunicações faz parte da Telebrás”, afirmou, reforçando a singularidade da empresa: “É garantir serviços, universalização dos serviços de telecomunicações para toda a população brasileira”.

A fala também teve uma camada técnica e outra de gestão. Ao listar ativos e iniciativas – fibra óptica, SGDC, GESAC, rede privativa, infovias, data center – Hermano evitou transformar a posse numa vitrine de projetos. Preferiu usar o portfólio como prova de que a Telebrás já tem instrumentos e escala, mas que o impacto real é medido na vida das pessoas. “Nosso trabalho na Telebrás é muito maior do que aquilo que a gente faz com o nosso colega da mesa ao lado. Nosso trabalho é transformar o Brasil”, afirmou, numa tentativa de ligar a rotina interna ao resultado social que a companhia promete entregar.

Ao falar de futuro, Hermano defendeu que a Telebrás deve aproveitar a convergência tecnológica com redes cada vez mais baseadas em software e a pressão da inteligência artificial, para ampliar oferta de serviços digitais. Mas fez um freio importante, sinalizando prioridade de curto prazo: a entrega do que já existe: “A nossa prioridade máxima é garantir que esses projetos sejam entregues da forma mais rápida e mais eficiente possível”, disse, numa mensagem direta ao time e também ao governo: antes de “inovar”, é preciso concluir com eficiência, prazo e responsabilidade.

No trecho mais político do discurso, Hermano atribuiu à atual gestão federal a retomada do projeto Telebrás e elogiou nominalmente o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a quem creditou a virada recente na trajetória da empresa. “O atual ministro, Frederico Siqueira colocou a Telebrás em um novo caminho e revolucionou a sua história”, afirmou, enquadrando sua chegada como continuidade: acelerar eficiência, governança e resultados, sem romper com o que foi construído.

Mas a marca mais pessoal apareceu quando Hermano levou a posse para dentro da empresa: ele disse que sua “maior prioridade” será o ambiente interno e o aproveitamento de talentos. O discurso, nesse ponto, foi menos sobre infraestrutura e mais sobre cultura organizacional, motivação, propósito e pertencimento. “Nenhuma alma humana pode se dar ao luxo de trabalhar num lugar que não gosta. Nós temos que transformar o ambiente da Telebrás”, afirmou. E concluiu com uma promessa de gestão orientada a pessoas e desempenho: “Que cada problema seja uma oportunidade para que a gente possa encontrar os talentos da Telebrás”.

Ao final, Hermano transformou a cerimônia em um convite de mobilização. A síntese veio em tom de lema: se houver unidade em torno da missão, o resultado virá. “Se nós conseguirmos nos unir e a gente verdadeiramente acredite nela, o nosso sucesso será inevitável”, afirmou, pedindo adesão à “jornada” que começa com entregas e passa por uma Telebrás mais eficiente por dentro e mais relevante para um Brasil que, como ele insistiu, está espalhado “nos mais longínquos recantos” do país.